Durante a colônia e o império, o Brasil adotou uma forma de produção conhecida como escravismo, escravidão, ou mesmo escravatura. Durante esse período diversos homens e mulheres foram retirados do continente africano para trabalhar como escravos, sendo forçados a trabalhar contra a vontade, recebendo castigos corporais para manter a disciplina, e sendo propriedade de outra pessoa, como se fossem objetos. Arranjar um escravo era como comprar uma ferramenta, você pagava por ele e ganhava uma nota fiscal, como se estivesse comprando um martelo ou um Mp4.
A escravidão no Brasil foi introduzida pelos colonizadores portugueses, antes de trazerem escravos da África, os portugueses usaram os indígenas para escravizar, mas a escravidão dos indígenas era muito complicada, primeiro por que os padres tinham interesse em catequizá-los e segundo por que era muito simples para o índio fugir em meio a mata por que geralmente conheciam muito bem o terreno.
Com o projeto da escravidão, criou-se uma verdadeira empresa escravista que ia de barco até África e roubava pessoas de tribos como Bantos ou Benguelas, e de áreas como Congo, Guiné, Angola ou Moçambique. A escravidão não era uma coisa nova. Desde a antiguidade, pessoas vencidas em guerras ou que não tinham como saldar suas dívidas eram usadas em trabalhos escravos, contudo, o tratamento que recebiam nessas sociedades eram diferentes podendo muitas vezes comprar sua liberdade e fazerem parte da sociedade, coisa que não existia no Brasil.
A procura por escravos na África muitas vezes era feita pelas tribos vizinhas que trocavam os prisioneiros por produtos como fumo, aguardente e armas. Passados desse ponto eram trancafiados nos navios chamados de “negreiros”, que nada mais eram que barcos adaptados para carregarem os escravos da África para as Américas. As condições de higiene dos barcos eram péssimas, sendo que muitos morriam durante a viagem, sendo lançados ao mar. Assim, os que sobreviviam e acabavam chegando ao solo americano, eram vendidos em verdadeiros mercados, onde eram vendidos como animais, assim os melhores escravos recebiam um preço que variava de acordo com o porte físico, qualidade dos dentes e outras qualidades que eram atribuídas a bons trabalhadores, como canelas finas ou calcanhares altos.
Em todo o continente americano foi utilizada a mão de obra escrava, mesmo os países de origem inglesa como os Estados Unidos, ou de origem espanhola utilizaram a mão de obra escrava africana. No Brasil, o trabalho escravo teve importância fundamental na economia, pois era através dos escravos que toda a riqueza era produzida no Brasil, foram eles quem fez o país prosperar. Por esse motivo demorou tanto tempo para que a escravidão fosse abolida em terras brasileiras, sendo o último país da América a abolir o trabalho escravo.
Apesar dessa importância que o trabalho do escravo representava para o seu dono, vamos comentar novamente que o escravo era uma propriedade de seu senhor. Ele não possuía qualquer direito e dependia do seu proprietário para receber os elementos mais básicos à sua sobrevivência, como a alimentação e as suas vestimentas. Ele devia estar sempre pronto para trabalhar e seu trabalho era sempre vigiado pelos chamados capitães-do-mato, cuja obrigação era capturar os escravos fugidos e lhes aplicar os mais diversos tipos de castigos, como o açoitamento, o tronco, peia, entre outras punições. Essas punições serviam para disciplinar o escravo, mas contribuíam para diminuir o tempo de vida do trabalhador. Resumindo a história, o escravo executava o seu trabalho nas mais desumanas das condições.
Vida de escravo
Os escravos foram muito utilizados nas fazendas de cana de açúcar, posteriormente utilizados também nas minas de ouro (a partir do século XVIII). A plantação de cana de açúcar foram inicialmente feitas na região “da Mata”, no litoral nordestino, em grandes fazendas que produziam apenas esse gênero agrícola. Esse modelo de monocultura (cultura de um só produto) em grandes propriedades tinha o intuito de exportar sua produção. O nome desse modelo de exploração é conhecido como Plantation. O açúcar dessas Plantations era muito bem aceito na Europa, e isso fez a região enriquecer muito enquanto as outras regiões do Brasil continuavam pobres, motivo pelo qual a capital do Brasil era na região nordeste, em Salvador.
Além dos tradicionais escravos das fazendas de açúcar, existiam os escravos domésticos, que como indica o nome, trabalhavam nas casas de seus senhores, realizando serviços como cozinhar e costurar. Além desses existiam casos de escravos que prestavam serviços remunerados e deveriam pagar parcela de sua renda ao seu proprietário, os chamados “escravos ao ganho”. Outro tipo de escravo encontrado eram os alugados pelos seus senhores para desenvolver algum ofício (pedreiro, carpinteiro, cozinheiro, ama de leite) para outras pessoas, sendo assim chamados de “escravos de aluguel”. Estes dois últimos tipos de escravos desenvolviam suas tarefas geralmente nos espaços urbanos.
Um comentário importante de se fazer é que havia por parte dos senhores de escravos uma repulsa pelo trabalho. O trabalho era considerado coisa de pobre, ou de negros, por isso nenhum dos senhores de escravos gostava de trabalhar, precisando dos escravos para quase tudo.
Entre 1902 e 1907 vários grupos de camponeses ficaram descontentes com a distribuição irregular de terras, Vladmir Lênin ficou muito contente com o potencial revolucionário nos camponeses. Os primeiros a criarem o termo bedniaks, e serednniasks e kulaks foram os bolcheviques quando dividiram os camponeses nesses três grupos. Os bednyaks eram os mais pobres, trabalhavam se oferecendo para arrendar terras. Os seredniaks ocupavam a camada intermediária, pois eram donos de propriedades, eram auto-suficientes, vendiam sua produção em mercados mas não contratavam trabalhadores, já, os kulaks, contratavam trabalhadores que trabalhavam em tempo integral.
Os kulaks russos eram uma classe de camponeses que anteriormente à revolução era dona de suas próprias terras. Eles receberam essas terras em uma espécie de reforma agrária feita em 1906, por Peter Stolypin que na época era o ministro do Czar Nicolau II. A idéia do ministro tinha dado certo, como os camponeses eram donos da terra, eles passaram a trabalhar muito mais e aumentou em 40% a produção de comida. Maaaaaaaaaaaaas como na época da Guerra Civil Russa os Kulaks resolveram apoiar o exército Branco, pois não queriam perder a propriedade privada que recebera do Czar, eles foram acusados de serem traidores pelos defensores do comunismo.
O termo “Kulak” foi originalmente destinado a ser depreciativo, era uma propaganda soviética pintando esses agricultores como gananciosos e que estava no caminho da coletivização, que impediriam sua terra e o gado de produzir. Após a Guerra Civil Russa, a fome estava generalizada em toda a Rússia. Isto foi em parte devido à guerra e em parte devido à ineficiência da coletivização. Para aliviar a fome, Lenin tentou confiscar os grãos dos camponeses, incluindo os kulaks. Como não tiveram o suficiente de grãos recolhidos, ele culpou os kulaks e ordenou que os Kulaks ficassem sem grãos ou sementes. A situação ainda não estava resolvida e piorou muito quando Stalin tomou o poder na União Soviética. Ele continuou a política de coletivização, mas os erros dessa política continuaram a se repetir e novamente os kulaks foram responsabilizados por teimosia em aceitar implantação do regime de coletivização. Então começou uma campanha de deportação dos Kulaks pra a Sibéria.
A verdade sobre a deportação do Kulaks é que eles eram jogados no meio do nada, sem comida, material ou recursos de qualquer espécie. Muitos outros foram forçados a trabalhar suas fazendas, mas sem serem donos da própria terra e sem permissão de ficar com qualquer grão da sua produção. Literalmente milhões de kulaks morreram, mas não se sabe o número. Lênin admitiu em conversa com Churchill que as estimativas variam de 4 a 8,000,000 de mortos. Que muitas vezes morriam sem sequer saber que estavam sendo acusados de traidores do povo.
A demonização infeliz e destruição dos kulaks seria entre os muitos fatores que acabaria por enfraquecer a União Soviética ao longo dos anos de regime totalitarista. Os kulaks poderiam ter oferecido contribuições valiosas para a nação russa. No entanto, foram dizimados pelos comunistas, que estavam ideologicamente cegos frente a necessidade de manter o poder do ditador Stalin.
Mas e como ficavam os trabalhadores menos abastados?
Os bedniaks, estavam assumindo uma posição de parceria dos proletariados urbanos, mas estavam assumindo certa neutralidade perante a luta entre seredniaks e kulaks. Mas quando começou o confisco dos grãos, muitos seredniaks tiveram seus grãos confiscados, e alguns relutaram mas a classe em geral ainda não fora afetada ou se revoltado. Nesse momento, os inimigos do Estado incluíam os Kulaks, os Burgueses, clérigo e a aristocracia, esses deveriam cooperar com as autoridades ou serem destruídos, mas para os seredniaks e bedniaks, esses tinham que ser recrutados por todos os meios políticos possíveis. O povo tinha que ser trazido para junto da máquina do Estado. Com os protestos contra Kulaks crescendo, os seredniaks sempre apresentando uma posição perigosa frente a identificação dos inimigos do Estado, em Março de 1929, foi lançada uma lei, caracterizando como Kulak, todo aquele que tivesse contratado trabalhadores, possuído máquinas próprias para a produção ou que tivesse possuído uma propriedade. Era o fim para os seredniaks, pois o estado nunca formalizou a diferença entre cada um dos grupos, eles existiam somente para definir quem era inimigo e quem era amigo e para diferenciar o campesinato pelo olhar revolucionário. Essa lei definiu como traidor todos aqueles que contratavam força de trabalho, fosse donos dos meios de produção ou que pudessem de alguma forma conter algum bem de trabalho, sobrando assim somente os bedniaks que seriam absorvidos com a massa no processo de coletivização da agricultura e da ecnomia. A pena era sempre o exílio, mas seguindo as regras do Kulaks, sempre que alguém se opusesse, era considerado Kulak e exilado e assim continuava esse processo sempre exilando indivíduos por diversas partes do país.
Assim podemos ver que a classificação entre Bednias, Seredniaks e Kulaks, era muito maior que uma classificação baseada em status social, era uma forma de identificar os camponeses quanto a sua participação e colaboração perante o plano de coletivização do Estado. Obviamente, os Kulaks eram sempre encarados como traidores, aos bedniaks, eram sempre encarados como os aliados na revolução, aos que mereciam todo o apoio e sempre recebiam benefícios do Estado quando confiscavam terras dos kulaks e finalmente seredniaks estavam sempre caminhando entre essa linha de traidores e aliados.
Bom pessoal, finalmente começou mais um ano letivo e é dado o meu retorno às atividades. Quero dizer aos que foram meus alunos ano passado que estou morrendo de saudades. Finalmente terminou nosso período de descanso e se faz necessário nossa volta. Aos que estarão comigo pela primeira vez, desejo dizer que sejam bem vindo mas que não será fácil, tenho um método bem diferente, gosto muito de brincar mas exijo muita reflexão em minhas aulas, o que eu faço na frente do quadro não é ensinar história, para isso vocês não precisam de mim, qualquer um que saiba ler pode pegar um livro, revista, ou mesmo documentário que fale sobre história e aprender sozinho. O que eu faço em frente ao quadro, que vocês me encontram toda a semana é trabalhar o senso crítico de vocês. Considero vital para o desenvolvimento da cidadania que cada um de vocês tenha a habilidade de tirar suas próprias conclusões sobre os assuntos, de maneira que vocês mudem sua opinião sobre algo que estão acostumados a ver como comum.
Para os que vão começar desde o primeiro ano comigo, digo que ao longo desses três anos do ensino médio vou sempre questiona-los, motivá-los, interroga-los, pressiona-los e diversos outros métodos que sejam necessários para que vocês consigam ver a história com novos olhos. “Por que houve necessidade de uma guerra?” ou “Por que negociaram a paz?”, “Isso foi um ato honesto?” e “Quem se beneficiou com isso?” São perguntas comuns que quero que vocês possam responder ao longo desses anos, de modo que levem esse senso crítico pelo resto das suas vidas. Somente questionando é que se chega até a verdade e somente vivendo é que fazemos parte da vida, e a vida de um enconsta na de outros. Fazemos parte de um mundo, não somos legendários “que não conseguiram mudar o mundo mas continuam tentando”. Somos atores sociais. Que dia a dia fazemos mais um ato no palco da vida. Sejam bem vindos, espero que a sua vida nunca mais seja a mesma
Uma cosia todos temos que concordar: sala de aula é um local onde todos temos que aproveitar para além de vivenciar o convívio social temos que aproveitar para exercer conceitos como cidadania, amizade, patriotismo e quaisquer outra qualidade necessária para se tornar um excelente cidadão. Até então tudo bem, mas procurar usar esse tempo para imaginar o futuro, se preparar e trabalhar suas qualidades profissionais também faz parte da cidadania.
Ao contrário de incentivar um aluno “mercadoria” para o mercado de trabalho, uma boa pedida é trabalhar com testes vocacionais em sala de aula. Assim, você pode ter algumas sugestões das qualidades profissionais que mais sobressaem de acordo com os seus resultados. Lembrando que essa não é uma tarefa destinada a “determinar” quem você é, mas somente a dar algumas dicas de quais qualidades profissionais você possuiu, aproveito para comentar que quando fiz o meu primeiro teste me foi dito que eu seria um bom programador ou engenheiro da computação… ahahaha…
Bom, vamos parar de conversa e vou listar abaixo alguns sites que proporcionam essa experiência ao internauta. Hehehe… boa viagem.
Ixi… essas são apenas algumas sugestões. Procure fazer mais de um teste em mais de um local pois eles são calculos que somados representam respostas diferentes e dependendo do esquema que o criador do teste usou para avaliar você, as profissões podem mudar… boa sorte!
Esse post saiu de um comentário de um leitor do site, onde ele fez uma pergunta com esse teor. Como gostei da pergunta e gostei também da resposta dessa pergunta, resolvi criar um post para divulgar o que conversamos. Bom vamos lá.
Na verdade, não é uma questão de escolha. Stalin era o cara que mais se destacou no partido na etapa que preparou a revolução. Lênin era um grande pensador e hoje se sabe que na verdade o preferido de Lênin era o Trotsky e não o Stalin… ^^! Acontece que para os revolucionários do partido Stalin era mais confiável pois ele era mais rígido e era dureza mesmo que eles queriam pois a revolução estava numa etapa onde era necessário impor uma ditadura, por isso o pessoal do partido sentia mais confiança no Stalin. Ta mas você deve se perguntar: mas e o desejo de Lênin? Ninguém respeitava? Até respeitaria, mas Lênin estava muito doente, e morrendo e Stalin não entregava as notícias de tudo o que acontecia e escondia o que estava acontecendo com a revolução. Assim, Stalin assumiu o poder e colocou Lênin para correr do país dele, e antes de mandar matar ele no México, matou ele da memória das pessoas da URSS. Os livros de didáticos de história resumem a luta pela sucessão como somente ao fato de Stalin querer a URSS se consolidando no socialismo e Lênin querer expandir a revolução para fora do seu país. Na verdade lembre-se sempre que a revolução é feito por homens e podemos dizer que interesses prevalecem em momentos como esse. Sugestão,veja o filme, a revolução dos bichos. Vou ver se crio um post para contar um pouco dele pois ele mostra direitinho o início da revolução. Até mais.
Hoje, aniversário do Município, encerra a vigésima primeira edição do Raízes. Evento que durou uma semana e que vai dar saudades no nosso município.
Clique para ver a árvore genealógica
O Raízes foi criado há 21 anos por orientação da Professora Vera Barroso, a quem tivemos a honra de sermos alunos (curso de História – Licenciatura Plena na Faculdades Porto Alegrenses) e que há 21 edições coordena esse evento para que possamos relembrar história da formação dos municípios e do cotidiano de seus cidadãos.
O raízes não é um encontro apenas para discutir sobre a evolução política dos municípios que se emanciparam do grande antepassado, Santo Antonio da Patrulha/RS. Tendo uma visão holística de trabalhar com a memória, o evento serve de encontro para historiadores, jornalistas, professores, comerciantes, alunos, enfim, cidadãos que se encontrem para tratar das suas memórias e redescobrir sua identidade fazendo essa reflexão coletiva que nos aproxima do passado e nos torna mais preparados para compreender o presente.
Nessa edição recordamos história do tempo em que a praia na tinha sequer posto de saúde, energia elétrica ou água encanada. E o mais interessante é que estamos falando de coisa de 20 anos atrás.
Ao longo dessa semana, através de inúmeras negociações com a escolas onde trabalho, consegui assistir o evento quase que em totalidade. Assim assisti diversos temas que me tocaram e me despertaram a curiosidade. Dentre os diversos temas, destaco o resgate ao Boizinho da Praia do Ivan Therra (Cidreira). Da odisséia que era entregar o jornal Folha da Tarde e o Correio do Povo, contado pelo Walter Galvani. Da homenagem da Prof. Lézia Cardoso à prof. Maria Faistauer, das comunicações falando sobre a história do comércio local (Samy), dos tráfico de africanos no litoral gaúcho do Paulo Moreira, ixi…. e por aí vai. Tem um bocado de histórias esse raízes. A edição do ano que vem, será em Nova Hartz, quero ver se faço um esforço de participar. Hoje, daqui a algumas horas será o encerramento da edição. Já estou morrendo de saudades das histórias, do evento e das minhas professoras que reencontramos: Ana Inez Klein e Vera Maciel Barroso.
Abaixo, segue algumas fotos que tirei do evento no celular da minha esposa.
A Internet, a Arte e a paixão doentia pela modernidade.
Faz muito tempo desde que o homem saiu da fase de sua vida onde ele vivia sobre as regras da modernidade e o julgo da ciência. Faz muito tempo desde que o homem tentava através de algoritmos e leis imutáveis tentando explicar tudo desde as ciências naturais até a metafísica através de formulas e outros meios que promovessem qualquer desligamento com o passado. O problema é que vivemos em um mundo pós-moderno onde o moderno foi revisitado, revisto e superado (ou não?). Então por que temos esse desejo de continuar nos desenvolvendo, evoluindo e superando?
Quando me deparo com a arte, sempre surgem questionamentos diversos sempre relacionados à funcionabilidade daquele elemento que estou verificando. Confesso que muitas vezes direciono um olhar preconceituoso sobre as formas de expressão de arte. Muitas delas levam o “observador” da exposição a refletir sobre o porquê o artista as cria. Será uma necessidade de chocar ao observador? Será um desejo de ser reconhecido como um sujeito a frente do seu tempo? Será uma forma de sensibilizar o leitor/observador com alguma mensagem chocante? Será uma mera preocupação com o estético? Um desejo de superação aos colegas artistas que criaram obras antes da minha?
Seja qual for a resposta à essa tarefa, quero dizer antes de mais nada que não me considero um crítico de arte, e jamais tentaria fazer a arte como uma forma de sobrevivência. É necessário o desenvolvimento de uma sensibilidade à qual a parte responsável por tal movimento está inativa em meu cérebro, portanto muitas vezes não consigo fazer a abstração necessária da realidade para entender a arte.
O ponto curioso é que antigamente você precisava ir à uma exposição para poder saborear a arte, hoje podemos ver ela através da internet que faz com que o mundo chegue próximo à você. Digo na internet pos nos meios de comunicação tradicionais, cujo a tarefa é informar, a informação não vem de forma que force uma interação, ou uma necessidade de busca pela informação, ela vem pronta. E o advento do computador fez com que novas e novas formas de webdesigns fossem criados de forma a entreter e a prender o ‘internauta”. Quando estudei webdesign, há 9 anos atrás, lembro que desisti desse mundo por não ter apurado o meu lado “artístico” mas confesso que a internet criou uma infinidade de menus e rotinas de programação para tornar a visita do leitor mais agradável desde então. Embora a finalidade dessa melhoria seja sempre destinada a melhorar o marketing, e geralmente tenham uma funcionabilidade estética (por exemplo: criar um menu de navegação chamativo, ou simplesmente “maneiro”) algumas delas podem ser usadas para amplos fins, como por exemplo deixo a sugestão de visita ao http://www.obarbaro.com.br/ um bar onde no início tem um aplicação em flash que permite ver o site inteiro. Confesso que é muito legal, bonito. Mas a funcionabilidade dele é estética, voltada para promover o bar Baro.
Interatividade e dinamismo, confesso que são coisas lindas, que quando aplicadas à educação criam a possibilidade de interagir com universos que antes não eram possíveis de se criar. Assim, podemos fazer experiências no campo das ciências, das humanas e por aí vai. Agora vamos fazer uma visita sobre a raiz do problema. Qual a necessidade de realizar tamanha inovação, superação e recriação sobre aquilo que já existia? No fundo, isso não nos aponta para uma necessidade estética? Ou melhor de superação estética? A arte não segue uma demanda de superar o que foi superado no passado? Assim, deixo meu comentário, sobre a possibilidade de prostituir a educação (eu adoro essa frase!) ao se preocupar em tornar ela interessante e agradável aos olhos dos outros. Por que preciso tanto em enfeitar algo que serve para o bem do indivíduo? O conhecimento não é algo útil e agradável?
Novamente, interatividade, dinamismo, criatividade de apresentação do conteúdo são coisas extremamente eficientes na educação, extremamente gostosas de se trabalhar, justamente por essa facilidade que temos de gostar ou dessa nossa sede de aculturação pelo moderno. Mas cuidado para não se perder naquilo que poderia ou necessitaria que fosse óbvio. Cuidado para não perder o foco e tornar-se alguém “estético”, preocupado em agradar ao olhar dos demais. Por vezes você pode acabar complicando o que antes era simples. É como eu fazer um caça-palavras para descrever o que eu achei sobre o site http://www.arteria8.net/home.html.
Ontem participei de uma iniciativa do governo federal que nosso prefeito instaurou em nossa cidade que é a do CLAC – Centro de Lazer, Arte e Cultura. A manutenção do local está sob a jurisdição da nossa Secretaria de Turismo mas também vai contar com o apoio das secretarias de Educação e Cultura e Assistência Social. E… a iniciativa que participei ontem foi da abertura da cinemateca e discussão de filmes.
Não participei da primeira sessão mas participei da noturna onde foi apresentado o documentário Os Anos JK – Uma Trajetória Política. A sessão estava lotada, contou com a presença das turmas da EJA da Luis de Oliveira e da Calil Miguel Allem, e ilustre presença do nosso amigo Josué, professor de história que orientou um debate sobre o filme após a exibição do mesmo.
A cinemateca em Balneário Pinhal, vai funcionar todas as quintas com seções as 10:00 AM, 15:00 (com filmes infantis) e as 20:00, com o mesmo filme da manhã. Todos os encontros serão seguidos de um debate sobre o filme onde trocamos idéias sobre a temática da obra exibida. Se você mora em Pinhal ou estiver só de passagem, não deixe de conferir. Ótima iniciativa, com certeza essa idéia vai colar. Eu… já estou lá.
Esse post tem muita coisa resumida nele, acho que vou fazer ele virar 3 posts mas a princípio, como todos os assuntos estão interligados para explicar a Proclamação da República, vamos deixar ele como um post apenas.
O Segundo Reinado
O segundo reinado inicia com o grupo dos liberais no poder, mas a pressão dos conservadores é tamanha que D. Pedro convoca novas eleições para a câmara, onde os conservadores vencem. Revoltados, os liberias mais exaltados promovem um levante armado que foi sufocado no mesmo ano (1842). Em resposta, surge um novo movimento armado em Pernambuco (a Revolução Praieira).
Ainda no segundo reinado, ocorre a Guerra do Paraguai. O Paraguai, que antes da guerra atravessava uma fase marcada por grandes investimentos econômicos, a guerra serviu para diminuir a expansão paraguaia na América do Sul. Lutaram juntos, Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, formando a Tríplice Aliança que recebeu armamentos e investimentos vindos da Inglaterra que também tinha interesse em impedir a ascensão paraguaia, que ao término da guerra, o país estava arrasado.
As novas elites surgem no poder
A economia nesse período se desloca do nordeste para o sudeste, pois começa o cultivo de café no Vale do Paraíba, posteriormente migrando para São Paulo. Assim, o sudeste começa a se modernizar. E o que isso implica?
Anteriormente, o ciclo da riqueza no Brasil girava em torno do nordeste que desde o tempo das Capitanias Hereditárias (lembra?) plantava cana de açúcar que era o produto economicamente mais rentável que existia no Brasil. E, como dinheiro e sinônimo de poder, os plantadores de cana de açúcar eram os integrantes do partido político mais poderoso no império que era o partido conservador. Por isso dizemos que existia uma elite açucareira no Brasil.
Mas… aos poucos, a cana de açúcar vai deixando de ser o principal produto da economia brasileira e começa a ceder lugar ao café, que aos poucos vai sendo plantado no vale do Parnaíba, no Rio de Janeiro, depois passando a ser plantado em São Paulo, e obviamente ao ser o novo produto mais rentável, os plantadores do café começam a exigir um espaço maior na política que era ocupado pelos plantadores de cana de açúcar.
A abolição da escravatura
Também por pressões estrangeiras, a Escravidão começa a se tornar um empecilho no Brasil. A escravidão humana no mundo ocidental já vinha sendo questionada desde o século XVIII . Os filósofos iluministas e posteriormente os princípios jacobinos da Revolução francesa professavam a igualdade de nascimento entre todos os homens. Com a Revolução Industrial essas idéias ganharam um novo contorno. O fim da escravidão e o assalariamento da mão-de-obra ampliavam os mercados consumidores, muito disputados pelos grandes industriais, principalmente ingleses.
Durante a primeira metade do século XIX , o rápido desenvolvimento industrial na Europa e nos Estados Unidos promoveu um movimento internacional pelo fim da escravidão. Muitos falavam por questões humanitárias, outros tantos por interesses meramente econômicos. Seja como for, a tendência de fim da escravidão impunha-se sobre o mundo ocidental.
No Brasil, essas pressões internacionais já podem ser percebidas nos tratados de 1810 e no reconhecimento da independência junto à Inglaterra. Em ambos os casos, o Estado brasileiro comprometeu-se em abolir a escravidão em médio prazo, o que não aconteceu.
No Brasil a reação dos senhores de escravos, principalmente os produtores de café, foi uma enorme corrida pela compra de novos contingentes de negros, o que aumentou ainda mais o trafico no Atlântico. A resposta inglesa não tardou. A partir de 1848 a marinha inglesa passou a afundar navios negreiros inclusive nas águas territoriais, chegando em alguns casos e desembarcar em terras brasileiras.
Criava-se uma tensão pré-guerra entre o Brasil e a maior potencia mundial que não podia continuar. Em 1850 o numero de escravos que entrava no Brasil havia se reduzido muito por conta da repressão e não havia condições diplomáticas para manter o trafico.
Onde inicialmente, ocorreu a proibição do tráfego negreiro imposta pela Inglaterra, após muita pressão internacional cria-se no Brasil a lei Eusébio de Queiroz, que proibia a compra de escravos no exterior. Agora era uma questão de tempo, pois o Brasil iria dissolver a escravidão aos poucos, com as Leis dos Sexagenários (escravos maiores de 60 anos deveriam ser libertos) e a Lei do Ventre Livre (escravos nascidos deveriam ser libertos depois dos 12 anos de trabalho). Somente em 1888, é que seria abolida a escravatura com a Lei Áurea.
Reais motivos que atrasaram a abolição da escravatura:
O escravo era a base da economia nacional. Os latifúndios eram sustentados por mão de obra escrava.
A pressão estrangeira procurava introduzir a mão de obra assalariada para o bom desenvolvimento do sistema capitalista, pois escravo não ganha salário, logo não pode comprar produtos.
A proclamação da república.
Apesar de inúmeras revoltas, propondo a república, D. Pedro II governava com mão de ferro e fazendo uso do poder moderador. Enquanto liberais e conservadores se alternavam no poder. Os republicanos ganhavam espaço, organizando um manifesto republicano em 1870 a fim de atrair auxílio para o movimento.
A partir da década de 1870, como conseqüência da Guerra do Paraguai, iniciou-se uma crise resultada de vários fatores de ordem econômica, social e política que, somados, conduziram aqueles setores à conclusão de que a monarquia precisava ser superada.
A questão da classe média – (funcionários públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes), que crescia e queria maior participação no império. Aliando-se aos republicanos.
A questão abolicionista – O regime imperial estava atrelado à escravatura. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao número de escravos alforriados. Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de “republicanos de última hora”, os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
A questão religiosa – Desde o período colonial, a Igreja Católica enquanto instituição encontrava-se submetida ao Estado. Isso se manteve após a Independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo Imperador. Em 1872 dois Bispos resolveram seguir por conta própria as ordens do Papa Pio IX, punindo religiosos ligados à maçonaria. D. Pedro II, influenciado pelos maçons, interviu na questão, os bispos recusaram-se a obedecer, sendo condenados a quatro anos de trabalho braçal (quebrar pedras). Em 1875, graças à intervenção do Duque de Caxias, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no episódio, a imagem do império desgastou-se junto à Igreja.
A questão militar – A Guerra do Paraguai, além de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvalorização, que se manteve e mesmo acentuou-se após o fim do conflito. O resultado foi a percepção, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que os desprezava, pois não eram bem remunerados, as ordens do imperador valiam mais que as dos generais e não possuíam autonomia sobre a defesa do território.
O império tenta lançar reformas a fim de resolver as dificuldades do império, mas foi tarde demais. No dia 14 de Novembro de 1889, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender o marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant Botelho de Magalhães. Era o estopim para a tomada do governo imperial e instauração da República.
Germinal é um filme de 1993, já um pouco antiguinho e difícil de conseguir, mas é um ótimo filme para quem pretende descobrir um pouco mais sobre como funciona as relações de trabalho, e as lutas de classe que são existentes na sociedade capitalista e a medida que o capitalismo instalou-se nas cidades e o ritmo da produção e da exploração dos trabalhadores cresceu com as revoluções industriais, as empresas adotaram uma doutrina para conduzir seus negócios conhecidas como Liberalismo.
No Liberalismo, é ensinado ao donos das empresas, que por ventura são as pessoas que mais adoram o capitalismo, que o caminho para o sucesso é a empresa tem que ter poder para agir livremente, de preferência sem nenhuma intervenção dos governos. Assim, elas exploram os funcionários como querem, pagam salários baixíssimos e não pagam nenhum direito trabalhista (Férias, Licença Saúde, Licença Maternidade, etc, etc). Assim, os trabalhadores estavam jogados a sua própria sorte, e nesse mar de desgraça, os discursos socialistas e marxistas ganham muita força e começam a cativar os trabalhadores cansados de sofrer nas mãos dos donos das fábricas.
Olhando dessa forma, se torna mais fácil analisar o filme Germinal, pois o cenário que ele retrata é o da luta entre a burguesia do século XIX e os trabalhadores explorados nas fábricas. Enquanto o povo trabalha, vive em condições deploráveis, morre de fome e de doenças em meio à sujeira, a alta sociedade desfruta de festas e refeições fartas.
Abaixo, trago um vídeo sobre o filme e o filme em si, que foi postado por algum usuário no Youtube.