Os camponeses e a Revolução Russa
Entre 1902 e 1907 vários grupos de camponeses ficaram descontentes com a distribuição irregular de terras, Vladmir Lênin ficou muito contente com o potencial revolucionário nos camponeses. Os primeiros a criarem o termo bedniaks, e serednniasks e kulaks foram os bolcheviques quando dividiram os camponeses nesses três grupos. Os bednyaks eram os mais pobres, trabalhavam se oferecendo para arrendar terras. Os seredniaks ocupavam a camada intermediária, pois eram donos de propriedades, eram auto-suficientes, vendiam sua produção em mercados mas não contratavam trabalhadores, já, os kulaks, contratavam trabalhadores que trabalhavam em tempo integral.
Os kulaks russos eram uma classe de camponeses que anteriormente à revolução era dona de suas próprias terras. Eles receberam essas terras em uma espécie de reforma agrária feita em 1906, por Peter Stolypin que na época era o ministro do Czar Nicolau II. A idéia do ministro tinha dado certo, como os camponeses eram donos da terra, eles passaram a trabalhar muito mais e aumentou em 40% a produção de comida. Maaaaaaaaaaaaas como na época da Guerra Civil Russa os Kulaks resolveram apoiar o exército Branco, pois não queriam perder a propriedade privada que recebera do Czar, eles foram acusados de serem traidores pelos defensores do comunismo.
O termo “Kulak” foi originalmente destinado a ser depreciativo, era uma propaganda soviética pintando esses agricultores como gananciosos e que estava no caminho da coletivização, que impediriam sua terra e o gado de produzir. Após a Guerra Civil Russa, a fome estava generalizada em toda a Rússia. Isto foi em parte devido à guerra e em parte devido à ineficiência da coletivização. Para aliviar a fome, Lenin tentou confiscar os grãos dos camponeses, incluindo os kulaks. Como não tiveram o suficiente de grãos recolhidos, ele culpou os kulaks e ordenou que os Kulaks ficassem sem grãos ou sementes. A situação ainda não estava resolvida e piorou muito quando Stalin tomou o poder na União Soviética. Ele continuou a política de coletivização, mas os erros dessa política continuaram a se repetir e novamente os kulaks foram responsabilizados por teimosia em aceitar implantação do regime de coletivização. Então começou uma campanha de deportação dos Kulaks pra a Sibéria.
A verdade sobre a deportação do Kulaks é que eles eram jogados no meio do nada, sem comida, material ou recursos de qualquer espécie. Muitos outros foram forçados a trabalhar suas fazendas, mas sem serem donos da própria terra e sem permissão de ficar com qualquer grão da sua produção. Literalmente milhões de kulaks morreram, mas não se sabe o número. Lênin admitiu em conversa com Churchill que as estimativas variam de 4 a 8,000,000 de mortos. Que muitas vezes morriam sem sequer saber que estavam sendo acusados de traidores do povo.
A demonização infeliz e destruição dos kulaks seria entre os muitos fatores que acabaria por enfraquecer a União Soviética ao longo dos anos de regime totalitarista. Os kulaks poderiam ter oferecido contribuições valiosas para a nação russa. No entanto, foram dizimados pelos comunistas, que estavam ideologicamente cegos frente a necessidade de manter o poder do ditador Stalin.
Mas e como ficavam os trabalhadores menos abastados?
Os bedniaks, estavam assumindo uma posição de parceria dos proletariados urbanos, mas estavam assumindo certa neutralidade perante a luta entre seredniaks e kulaks. Mas quando começou o confisco dos grãos, muitos seredniaks tiveram seus grãos confiscados, e alguns relutaram mas a classe em geral ainda não fora afetada ou se revoltado. Nesse momento, os inimigos do Estado incluíam os Kulaks, os Burgueses, clérigo e a aristocracia, esses deveriam cooperar com as autoridades ou serem destruídos, mas para os seredniaks e bedniaks, esses tinham que ser recrutados por todos os meios políticos possíveis. O povo tinha que ser trazido para junto da máquina do Estado. Com os protestos contra Kulaks crescendo, os seredniaks sempre apresentando uma posição perigosa frente a identificação dos inimigos do Estado, em Março de 1929, foi lançada uma lei, caracterizando como Kulak, todo aquele que tivesse contratado trabalhadores, possuído máquinas próprias para a produção ou que tivesse possuído uma propriedade. Era o fim para os seredniaks, pois o estado nunca formalizou a diferença entre cada um dos grupos, eles existiam somente para definir quem era inimigo e quem era amigo e para diferenciar o campesinato pelo olhar revolucionário. Essa lei definiu como traidor todos aqueles que contratavam força de trabalho, fosse donos dos meios de produção ou que pudessem de alguma forma conter algum bem de trabalho, sobrando assim somente os bedniaks que seriam absorvidos com a massa no processo de coletivização da agricultura e da ecnomia. A pena era sempre o exílio, mas seguindo as regras do Kulaks, sempre que alguém se opusesse, era considerado Kulak e exilado e assim continuava esse processo sempre exilando indivíduos por diversas partes do país.
Assim podemos ver que a classificação entre Bednias, Seredniaks e Kulaks, era muito maior que uma classificação baseada em status social, era uma forma de identificar os camponeses quanto a sua participação e colaboração perante o plano de coletivização do Estado. Obviamente, os Kulaks eram sempre encarados como traidores, aos bedniaks, eram sempre encarados como os aliados na revolução, aos que mereciam todo o apoio e sempre recebiam benefícios do Estado quando confiscavam terras dos kulaks e finalmente seredniaks estavam sempre caminhando entre essa linha de traidores e aliados.
Post feito a pedido do colaborador jp.medeiros.
Jurássico 2012 (ano III)