Filme: Kick-Ass 2

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Sempre tenho medo de sequências pois em sequências as vezes mudam diretores, ou eles enlouquecem e mudam atores… o fato é que sempre que sai uma sequência corremos o risco de ter algumas surpresas ou estranhamentos. Talvez não muito para filmes feitos em cima de uma história já existente como livros ou mesmo HQs, que no caso do Kick-Ass se encaixa perfeitamente.

 

Minha estranheza com o filme começou no momento em que vimos a pequena menininha, Mindy Macready. Puxa! A atriz está com dezesseis anos de idade no filme tentando interpretar alguém fraquinha de quinze anos. No primeiro Kick-Ass, Mindy era um demônio, mas um demônio pequeno. É estranho acompanhar o envelhecimento de alguém através das películas, acho que a primeira vez que me lembro de ter presenciado isso foi assistindo aos filmes do Haley Joel Osment, e confirmei isso vendo Harry Potter. Mas não fugindo do nosso caso, ficou estranho ver aquela enorme criatura que pouco tempo atrás estava sendo a garotinha do papai, e arrebentando com as fuças de traficantes e mafiosos.

 

Pois bem, de outro lado, o enredo do filme aborda muito a temática das consequências dos seus atos no mundo real. Nessa sequência Dave Lizweski é quem quer agir como herói acima das dificuldades pois está entediado de ter se escondido e deixado a roupa de Kick-Ass. No filme Dave chega a unir-se com um pequeno grupo de heróis e patrulhar a cidade. Nesse grupo é que surge o papel ocupado por Jim Carrey que achei um bom papel. O ator está conseguindo fugir daqueles personagens estereotipados e desmiolados dele.

 

Indo além desse ponto, a ascensão de Mother Fucker foi o ponto mais divertido do filme. Conseguiram manter a pegada de humor do personagem que no fundo não é alguém maligno e sim alguém não bem orientado. O próprio pai mantinha o filho afastado dos seus negócios pois não o considerava “maduro” o suficiente para assumir uma vida de criminoso, e isso não muda muito agora que seu tio é o único parente mafioso que sobrou na família. O que não impede do vilão aparecer pois Chris D’amico está perturbado com a morte de seu pai. É engraçado assistir isso. Nesse ponto ele me lembrou muito o Duende Macabro, sucessor do Duende Verde em um universo paralelo do Homem Aranha (quase a mesma história onde o Normam tornou-se o duende verde 2). De fato, Christopher Mintz-Plasse tem um futuro promissor em personagens esquisitos e engraçados. Não querendo ofender o rapaz, mas seus personagens me lembram um Woody Allen atrapalhado, sem ser os personagens fodões que ele fazia que sempre se vingavam.

 

Apesar de não ser tão engraçado e mais dramático que o primeiro, considero Kick-Ass 2 um bom filme, só senti falta da ação/violência do primeiro mas a moral foi boa. Vejam, tirem suas conclusões, no fim ele mostra que as ações dos justiceiros têm consequências no mundo em que vivemos. O filme me faz pensar no que acontece nas comédias românticas depois do casamento (pois sempre terminam quando o casal sai para viver feliz para sempre) e nos processos que os policiais dos filmes de ação ganham após destruir a cidade inteira. No segundo caso, o filme nunca mostra pois sempre termina quando o mocinho explode o bandido.

 

Pois é… pensando bem: Kick-Ass 2 nos tira a graça de explodir cidades inteiras e matar pessoas. Que chato!

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