Roma Antiga

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Sim, todas as estradas construídas pelos romanos levavam até a cidade de Roma.
Sim, todas as estradas construídas pelos romanos levavam até a cidade de Roma.

Roma foi uma antiga civilização que se desenvolveu a partir da cidade-Estado de Roma, fundada pelos Etruscos, na península itálica, na região do Lácio durante o século VII a.C. Durante os seus onze séculos de existência, a civilização romana serviu como referencia de civilização no sul da Europa. Unificando costumes, moedas, política e religião mesmo que para isso tenha tido que passar por cima de todas as culturas de seus vizinhos.

Durante sua existência, o povo romano transitou  da Monarquia, para uma República Oligárquica até se tornar num vasto Império, que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural. Sei que dividir em períodos pode complicar um pouco para estudar sobre esse assunto, mas a divisão facilita se levarmos em conta os marcos de cada período. Na queda no reinado, criou-se o senado e e estabeleceu a divisão da sociedade em classes. Na república foi o momento onde os romanos começaram a conquistar os territórios de seus vizinhos, o que aumentou as diferentes entre as classes sociais. E, por fim, o império, que foi o momento da decadência. Onde Roma praticamente só se defendia dos ataques externos.

1º Momento – Monarquia Romana

Durante esse período, o rei acumulava as funções executiva, judicial e religiosa, embora seus poderes fossem limitados na área legislativa, já que o Senado, ou Conselho de Anciãos, tinha o direito de veto (proibir) e sanção (punir) das leis apresentadas pelo rei. Junto com o conselho e senado, havia a Comitia Curiata, assembléia formada por representantes de todas as famílias livres de Roma. Como a monarquia romana não era hereditária, quando o rei morria cabia aos senadores escolher um substituto. A Comitia Curiata aprovava ou rejeitava a indicação. A ratificação (confirmação) dessas leis era feita pela Assembléia ou Cúria, composta de todos os cidadãos em idade militar.

No período monárquico ou real, a sociedade romana foi dividida em quatro classes:

  • Patrícios – Cidadãos romanos, oriundos das tribos latinas que habitavam o local anteriormente e eram grandes proprietários de terras;
  • Plebeus – Eram homens livres, porém sem direitos políticos. Grupo composto por comerciantes, artesãos e pequenos proprietários;
  • Escravos – Recrutados entre os derrotados da guerra ou plebeus que não tinham como quitar suas dívidas. Eram considerados instrumentos, sem nenhum direito político, usados nos trabalhos mais pesados, seus donos tinham direito de vida e morte sobre eles. Eram parecidos em alguns aspectos com os escravos do período colonial no Brasil;
  • Clientes – Eram em geral ex-escravos ou filhos de escravos nascidos livres, ligavam-se a uma família patrícia, com quem mantinham uma reação de completa dependência, devendo substituí-los nas guerras. Assumiam também obrigações econômicas,  recebendo deles proteção e terras para cultivar em troca deviam-lhes respeito e devotamento pessoal.

2º Momento – República Oligárquica

Cansado de obedecer ao rei, o senado de Roma destituiu seu superior e instaurou uma república que apoiava-se em uma complexa estrutura político-administrativa, formada por três grandes áreas: a Magistratura, o Senado e as Assembleias. Os magistrados exerciam o poder executivo, os mais importantes entre eles eram os Cônsules e o Ditador, havia ainda outros magistrados como o Censor e o Edis. O senado concentravam a maior parte do poder do Estado, faziam parte apenas famílias patrícias. Haviam diferentes Assembleias, as mais importantes eram a tribal, e a centurial. Com essa nova estrutura política Roma iniciou um lento e contínuo processo de expansão amparando-se em uma poderosa força militar e quando dominou toda a península itálica (ao conquistarem uma região italiana, pelo menos um terço do território ocupado era apropriado pelo Estado, transformado em ager publicus (terras públicas) e depois distribuído aos cidadãos romanos, para várias finalidades: instalação de colônias, distribuição de lotes individuais ou ocupação pela aristocracia, que tinha os meios disponíveis para seu aproveitamento).

Roma deu início à sua expansão interna. Para as pessoas de posse a expansão territorial Romana significou mais riquezas e privilégios, mas para os mais pobres, ela contribuiu para aumentar as desigualdades entre Patrícios e Plebeus, desencadeando diversas revoltas plebéias. Insatisfeitos os plebeus se recusaram a participar das campanhas militares e passaram a exigir em assembleias diversas alterações na política e na sociedade romana, como a criação de cargos de Magistrados, encarregados de defender os seus interesses.

Devido a pressão desses acontecimentos os patrícios concordaram em criar o Tribunato da Plebe, que eram escolhidos pelos Plebeus anualmente e que apesar de não poderem criar novas leis, podiam vetar decisões de senadores e magistrados, consideradas contrárias aos interesses da plebe. Conquistaram assim o fim da escravidão por dívidas, o direito ao casamento com patrícios e a elaboração de um código de leis. No século IV a.C. obtiveram acesso às magistraturas, o ingresso de representantes no Senado e nos colégios sacerdotais e a transformação em lei dos Plebiscitos aprovados em suas assembleias.

Com a expansão territorial os romanos entraram em contato com a cultura dos povos dominados e pouco a pouco a partir do século III a.C. valores culturais, literários, filosóficos religiosos e científicos da civilização grega passaram a fazer parte do cotidiano de Roma que sofria influência da Helenização. Nessa fase, o maior rival da jovem civilização romana era a civilização cartaginesa. Os conflitos entre Roma e Cartago receberam o nome de Guerras Púnicas pois os romanos chamavam os cartagineses de púnicos. Os motivos da guerra foram a anexação da Magna Grécia por roma (no mapa é o território “da ponta da bota”) e pelo controle do Mar Mediterrâneo. Ao todo foram uma série de três conflitos militares entre ambas as nações. E, ao final, a vitória sobre Cartago trouxe o aumento do poder romano sobre a África, o domínio do mar e praticamente toda a base que precisavam para tornarem-se o império romano. Desesperados, sem saber como acalmar aos plebeus os romanos iniciaram o que hoje conhecemos como “Política do Pão e Circo“, promovendo festas públicas aos plebeus, e criando o Coliseu, onde gladiadores se enfretavam até a morte para manter o povo feliz e calmo.

No campo, grandes famílias de patrícios tornavam-se grandes proprietárias de terras desabrigando os pequenos agricultores que migravam para as cidades. Com o afluxo constante de pobres, escravos e imigrantes que se juntavam á esses componentes, as cidades passaram a enfrentar problemas como os de falta de moradia, desemprego, saneamento básico e alimentação. A desigualdade entre ricos e pobres gerou um enorme descontentamento entre as camadas populares, provocando conflitos sociais que começaram a abalar a República.

Para sair da crise seria necessário promover mudanças na sociedade por isso os irmãos Tibério Graco e posteriormente e Caio Graco, oriundos do tribuno da plebe, defenderam a reforma agrária como fim ao êxodo rural e para impor limites a propriedade da terra. Os senadores, donos dos maiores latifúndios de Roma, assassinaram Tibério e 300 dos seus seguidores mais seu irmão Caio baseando-se no modelo da democracia ateniense e buscando minar o poder dos ricos  propôs que as principais decisões da república fossem transferidas do senado para a assembléia popular. Mais uma vez a aristocracia senatorial o cassou e cercado ele morreu, junto com 3000 que o apoiavam.

A morte de Caio levou a uma guerra civil que se estenderia por quase um século. Procurando desviar a atenção da crise se estendia sobre a república, o senado romano passou a estimular campanhas militares no exterior. O prestigio dos militares, cresceu graças as suas vitórias obtidas. O general Lucio Cornélios Sila de confiança do senado assumiu o governo e foi nomeado por eles como o primeiro ditador perpétuo, deu início a uma onde de terror e perseguições políticas e restringiu a autoridade dos tribunos e das assembleias plebeias. Após a renúncia de Sila, três generais ocuparam o centro da república romana, como pai do exército: Pompeu, Julio César e Marco Licínio Crasso.

A aliança entre eles passou a ser conhecida como Primeiro Triunvirato (governo de três Barões), permitiu que governassem sem depender do senado. Com a morte de crasso os senadores tentaram isolar César apoiando apenas Pompeu. Teve início uma guerra civil, envolvendo agora os partidários de César e as forças do senado comandadas por Pompeu. Derrotado por César Pompeu morreu no Egito perseguido por César onde lá ele conheceu Cleópatra. Retornando à Roma César recebeu o título de ditador vitalício que deu início à uma nova fase na política romana sem se comprometer com ninguém assumiu para si vários cargos e funções, como cônsul, pontíficie máximo (sumo sacerdote) e supremo comandante  militar. Em seu governo 80000 pessoas foram beneficiadas pela reforma agrária.

O medo cresceu entre os senadores de que César acabasse com a república e se tornasse rei para que isso não ocorresse 60 senadores e cercaram e o assassinaram a punhaladas. A morte de César não garantiu a restauração do poder do senado. Contando com o apoio popular e a adesão das tropas, três seguidores de César, Marco Antônio, Caio Otávio e o General Lépido se impuseram ao senado e deram início ao Segundo Triunvirato. O território romano transformou-se novamente em um palco de guerra. Otávio Augusto destituiu Lépido e voltou-se contra Marco Antonio que acabou se suicidando juntamente com Cleópatra e Otavio Augusto se tornou o senhor absoluto do maior império já visto.

3º Momento – Império

Mapa do império Romano (clique para ampliar)

Roma tornou-se Império, voltando-se inicialmente para todo o mundo da orla do Mar Mediterrâneo(o Mar Mediterrâneo é um mar do Atlântico oriental, compreendido entre a Europa meridional, a Ásia ocidental e a África setentrional). Sendo Otávio Augusto seu primeiro governante durante quatro décadas onde promoveu diversas reformas na sociedade romana. Destituiu do cargo senadores acusados de corrupção, perdoou as dívidas dos camponeses para o governo, criou um tribunal de pequenas causas para dar maior agilidade à justiça, distribuiu alimentos e dinheiro para o povo em momentos de crise e incentivou os espetáculos públicos. Ocorreu com a morte de Augusto uma série de dinastias de homens célebres, além disso novas cidades surgiram e o estilo de vida romano passou a ser adotado acentuando o processo de romanização das regiões conquistadas.

O império viveu um período de calmaria conhecido pela pax romana mas no final do século II o império começou a sofrer as primeiras invasões de povos vindo inicialmente do interior da Europa e posteriormente da Ásia. Os romanos os chamavam de bárbaros (povos germânicos). Começou-se a intensificar as crises econômicas e agrícolas e a população ainda sofria com altos impostos.

Preocupado em tornar o império mais governável o imperador Diocleciano resolveu dividi-lo em duas partes, uma oriental sob seus cuidados e outra ocidental entregue ao general Maximiano. Não conseguindo ainda torná-la mais governável dividiu o Império entre quatro governantes, a chamada tetrarquia o que enfraqueceu o senado pois Roma deixou de ser a sede do império que passou a contar com quatro capitais: Trévis (na atual Alemanha), Milão (na península itálica), Sirmio (na atual Bósnia-Hezergovina) e Nicomédia (na atual Turquia) além, Diocleciano repeliu invasões e promoveu forte perseguição aos cristãos o que intensificou lutas internas pelo poder.

O imperador Constantino que o substituiu conseguiu restaurar o poder central concedendo liberdade de culto aos cristãos e transferindo a capital do império de Roma para a antiga cidade Grega de Bizâncio (atual Istambul na Turquia) que passou a se chamar de Constantinopla. Por fim, Teodósio, sucessor de Constantino o império foi dividido mais uma vez em duas partes: a metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes; a metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida como Império Bizantino que foi inicialmente conhecido como Império Romano do Oriente,e sucedeu o Império Romano como o Império e reinado dominante do Mar Mediterrâneo.

Sob Justiniano I, considerado o último grande Imperador romano, dominava áreas no atual Marrocos, Cartago, sul da França e da Itália, bem como suas ilhas, Península Balcânica, Anatólia, Egito, Oriente Próximo e a Península da Criméia, no Mar Negro. Sob a perspectiva ocidental, não é errado inserir o Império Bizantino no estudo da Idade Média, mas, a rigor, ele viveu uma extensão da Idade Antiga e por isso o estou situando aqui. (os historiadores especializados em Bizâncio em geral concordam que seu apogeu se deu com o grande Imperador da dinastia Macedônica, Basílio II, no início do século IX. A sua regressão territorial gradual delineou a história da Europa medieval, e sua queda, em 1453, frente aos turcos otomanos, marcou o fim da Idade Média). Á partir de 476 d.C., data tradicional da queda de Roma e início do Império Bizantino, demarca-se o início da Idade Média.

Resumo: Motivos da queda

É claro que os ataques de povos bárbaros cansaram a estrutura romana, porém alguns livros de história acusam que foram os ataques de bárbaros que derrubaram a civilização. Porém podemos apontar como quatro, os motivos da queda de Roma.

  1. Fim da Escravidão Por Dívidas: No período da república, a pressão dos plebeus fez com que os patrício aceitassem que eles não iriam escravizar aos plebeus que devessem, portanto, agora somente poderiam encontrar escravos entre os vencedores de guerras. E como no período do império roma mais se defendia do que atacava, Roma passou por uma crise, provocada pela falta de mão de obra. escrava.
  2. Altos custos de manutenção do império: Manter toda a estrutura romana era muito caro. Não é somente manter soldados remunerados, mas equipamentos e instalações militares. Podemos dizer que o império era “grande demais”, e está certo.
  3. Conflitos sociais entre plebeus e patrícios: Desde a formação, Roma sempre teve revoltas populares que passaram a ser comuns com a grande diferença social entre plebeus e patrícios. Geralmente quem sufocava as revoltas era o exército, porém não havia como o exército estar sempre de prontidão em duas frentes.
  4. Invasões Bárbaras: Por fim, em uma das últimas áreas onde Roma desafiou era onde hoje fica a Alemanha. Todos os povos dessa região tinham origens germânicas, e esse é o termo correto para atacar aos romanos, porém para os romanos, os interessados em destruir o modo de vida romano, eram os estrangeiros ou bárbaros. Nome dado em homenagem a sua fúria e desrespeito pelas instituições romanas, o que se pararmos para pensar é uma enorme babaquice, pois ninguém destruía mais e desrespeitava tanto outros povos como os romanos.
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