Os Reinos Bárbaros

Share

O fim do mundo antigo, o início da idade média.

Tudo começa na queda do mundo romano ocidental. A queda de Roma acontece por diversos problemas na política e na administração romana, mas foi agravada com as diversas invasões de povos bárbaros que viviam ao norte e nordeste do território romano ocidental. Após a queda de Roma, diversos grupos de bárbaros criaram reinos fortes e duradouros. Por hora, apenas vale a pena lembrar que antes de deixar de existir, o império romano foi dividido em duas partes, uma oriental (direita) e a outra ocidental (esquerda), sendo que foi a parte ocidental do mundo romano que deixou de existir.

imperioromano
(clique para aumentar)

Um dos maiores efeitos da crise desse império foi o esvaziamento das idades e a migração da grande massa de pessoas para o campo por problemas financeiros (alimento, aluguel, etc.), mas acima de tudo devido a constante onda de violência que os povos germânicos espalharam pela Europa. Com tudo isso, a o ocidente da Europa estava para enfrentar um Processo de Ruralização, ou seja, com a queda do império romano, o centro da vida social deixou de ser as cidades e passou a ser o campo.

Estava para iniciar agora na Europa um modelo de administração que seria conhecido como Feudalismo. Grosseiramente falando, o feudalismo, pode ser muito complicado de explicar, portanto considero que é muito mais simples mostrar como a Europa chegou a esse ponto. A queda do mundo romano deixou a Europa sem um referencial político e administrativo a seguir, restava agora criar “algo” que substituísse o modelo romano. O Feudalismo então vai surgir como uma mistura dos costumes germânicos (“bárbaros”), dos costumes romanos e os costumes da Igreja Católica Apostólica Romana, que conseguiu sobreviver à queda do império.

Dos romanos, os povos germânicos ocuparam as vilas, que antigamente eram as granes propriedades rurais que produziam alimentos para o império, com o passar do tempo, as vilas vão dar espaço para os feudos (as propriedades dos senhores feudais), além disso, os povos “bárbaros” que conquistaram as terras romanas encontraram os colonos, um trabalhador do campo que cultivavam a terra de outra pessoa e em troca, pelo uso da terra, deveria dar parte da produção para o dono da terra. O trabalho colonos foi mantido por seus dominadores, no futuro, eles tornar-se-ão os servos, que trabalham para os senhores feudais.

Dos “reinos bárbaros”, muito de seus costumes foram mantidos. Os povos germânicos tinham uma cultura que valorizava a guerra, coragem em batalha, morte em batalha e honra entre guerreiros. Os germânicos formavam exércitos de homens ligados uns aos outros através de juramentos de fidelidade, esse costume era o chamado comitatus. Os costumes eram a base das sociedades germânicas. Os costumes davam direitos de uso e regulavam o modo de ser desses povos, por isso diz-se que o as leis germânicas eram consuetudinárias, ou seja, baseadas nos seus costumes.

A religião germânica possuía deuses que valorizavam a bravura em combate, era uma cultura muito rica, crenças e costumes próprios. Os germanos acreditavam em deuses como Odin, deus da guerra e pai de todos os outros deuses menores, tais como Thor, o deus do trovão e também dos filhos de Odin o mais próximo da humanidade. Entre os povos “bárbaros”, desavenças sempre podiam ser resolvidas por meio de um duelo, se vencesse o acusado provava sua inocência. A vitória era um “sinal que deus estava ao lado dele”. Esses costumes germânicos, gradualmente vão perdendo espaço a medida que os povos “bárbaros” entram em contato com a Igreja Católica e conhecem a nova religião, do Deus único e seu filho Jesus. O modo de vida católico dá uma nova concepção de Deus ao homens, e faz mudar seu modo de enxergar a si mesmos e suas vidas.

Os primeiros reinos bárbaros

Com a queda do mundo romano, diversos povos disputaram o poder por meio da guerra no oeste europeu formando verdadeiros reinos. Dentre esses povos podemos citar vários entre eles Vândalos, Suevos, Eslavos, Ostrogodos, Visigodos Anglo-Saxões e… para estudar o feudalismo, o mais importante deles, que é o reino dos Francos.

Mapa do império Carolíngio (clique para ampliar)
Mapa do império Carolíngio (clique para ampliar)

No início os francos estavam divididos em vários grupos, restava a um chefe militar reunir o povo, tarefa esta cumprida por Clóvis e seu exército. Clóvis impôs sua autoridade sobre o restante do seu povo e tornou-se rei em 496, começava aí uma sucessão de reinados pertencentes à família de Clóvis, a dinastia Merovíngia, em homenagem ao avô de Clóvis, o Meroveu. Não tenho muito de importante a mostrar sobre os merovíngios, eles eram muito desleixados, com o passar do tempo serão conhecidos por participarem de muitas festas e torneis de espada. O desinteresse merovíngio em administrar seu reino era tamanho que com o passar do tempo, a administração do território passou a cargo de um alto funcionário do império, o Mordomo do Paço (também chamado de prefeito do palácio). As melhores coisas que podemos destacar dos merovíngios é que na administração de Clovis ele converteu-se ao cristianismo e criou a capital do seu império na cidade de Paris.

Graças a incompetência merovíngia, ninguém melhor para depor o rei do que um mordomo do paço. Em 751 Pepino, o Breve (apelido devido a baixa estatura dele… ?? Sim… não entendi ou não achei graça) inaugura uma nova dinastia que ainda não tem nome, mas no futuro será chamada de dinastia Carolíngia, em homenagem a Carlos Magno, o  rei mais importante dessa dinastia. Desde o início, o papa reconheceu Pepino como rei, desde que ele defendesse a Igreja dos lombardos, povo que se estabeleceu na península itálica (atual Itália) e ameaçava saquear a sede do papado. Como resultado da batalha, Pepino doou as parte das terras conquistadas dos lombardos para a Igreja Católica, surgia assim o patrimônio de São Pedro, vulga Vaticano para os mais íntimos.

Mas, como dito antes, o mais importante desses reis será Carlos Magno. Esse rei tornou seu império muito próximo da Igreja Católica ao mesmo tempo em que seus soldados dominaram um enorme território que dominou a maior parte da Europa. Carlos Magno tronou-se tão importante para a Igreja Católica quanto ela era importante para ele. A igreja o coroou imperador na basílica de São Pedro em 800. Esse presente, não pode ser visto somente como um gesto bondoso, com suas conquistas militares, os costumes cristãos foram adotados por todo o seu império, aumentando assim a influência do papa. Em troca a Igreja contribuiu para a educação dos nobres, ensinando seus filhos e preparando-os para ocupar as funções administrativas dos palácios. Obviamente que junto com o conhecimento eram transmitidos os costumes católicos para os jovens nobres. Mas acima de tudo, graças a influência de Carlos Magno e da Igreja nesse período foi mantido um movimento cultural, que viria a ser conhecido mais tarde por Renascimento Carolíngio. Os monges mantiveram livros e textos antigos preservados através de cópias manuscritas, também é no reinado de Carlos magno que foi preparada a versão oficial da Bíblia cristã.

A administração do território, o “ponto fraco” de Carlos Magno.

Sem desejar fragmentar seu império, mas tentando manter o imenso império unido, Magno delegou funções administrativas a funcionários de sua confiança. Criou-se assim o que seria a futura nobreza medieval. Nos territórios próximos das fronteiras, também chamados de “Marcas”, criou-se o cargo de marquês. Os marqueses eram responsáveis por administrar as fronteiras do império. Nos territórios próximos da fronteira, havia os ducados. Aos duques era dada a função de formar e liderar exércitos, de defender o território. E nos demais territórios, nos condados, os condes eram responsáveis por cobrar impostos, multas e por fazer cumprir as decisões do rei. Esse sistema foi eficaz enquanto Carlos Magno viveu, com a sua morte no ano de 814, seu filho teve dificuldade em impor a sua autoridade. Luis, o piedoso (apelido devido a sua intensa religiosidade) ainda manteve o território unido com a morte de Carlos Magno enquanto ele esteve vivo, mas com a morte dele não teve como, os netos de Magno disputaram o trono, o que resultou no tratado de Verdum em 843, dividindo o território entre cada um dos seus filhos. Carlos ficou com a parte ocidental, Luís com a parte oriental, e Lotário com a parte central e sul do império, se estendendo do Norte até a Itália.

A divisão do império mostrou a fragilidade dele. Com o enfraquecimentos do poder central os Nobres (Condes, Duques e Marqueses) aproveitaram da situação e fizeram seus cargos tornarem-se vitalícios e passaram a ser os verdadeiros administradores de suas terras. Era uma má época para a Europa, pois não somente havia o problema da divisão do território, mas povos vindos de diversos locais atacaram o território. Dentre esses estavam principalmente os Vikings, vindo do norte, os povos muçulmanos, vindos pelo sul e húngaros (magiares), vindos pelo leste. Desesperados, os três reis pediram o apoio dos nobres para defenderem os territórios, outro tiro no pé, pois ao defender os territórios, os nobres aprofundaram ainda mais o poder local, estava formado assim o Feudalismo.

(Clique para ampliar)
(Clique para ampliar)
Share