Os árabes e o nascimento do islamismo

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O local de nascimento da civilização árabe é na península arábica, uma região situada a nordeste no continente africano. Local de clima seco, quente e árido, coberto de desertos com pequenos oásis que permitiram o cultivo de vegetação e as civilizações morarem a borda dele.

Imagem de uma celebração ao redor da Caaba (clique para ampliar)
Imagem de uma celebração ao redor da Caaba (clique para ampliar)

Muito antes do século VII podemos encontrar indícios de civilização nessas áreas porém no início eram compostos de tribos dispersas pela região dos Oásis. Nos desertos viviam os beduínos, povos nômades (sem moradia fixa) criadores de camelos, cabras e outros animais com capacidade de sobreviver ao clima quente e seco do deserto. Nas regiões mais próximas dos oásis encontramos agricultores que cultivavam palmeiras e tamareiras, enquanto nas áreas mais afastadas existiam vilas e cidades, essas repletas de artesãos e comerciantes sendo os comerciantes o grupo de maior prestígio.

O centro religioso do povo desde sempre era a cidade de Meca. Os árabes peregrinavam à Meca para  orar, pedir e agradecer. Nessa época os árabes eram politeístas e suas preces eram feitas ao redor de uma enorme pedra negra chamada de Caaba. A Caaba é um cubo que abrigava imagens de vários deuses e segundo a lenda, ela era branca na sua criação porém ficou escura devido aos pecados da humanidade. É na cidade de Meca que nasceu Maomé, o futuro criador da religião do islamismo.

Maomé

“O profeta”, como também é chamado, Maomé nasceu em uma tribo coraxita. Acredita-se que a data de nascimento era no ano de 570. Maomé vindo de uma família humilde ficou órfão e, levado pelo seu avó, foi morar no deserto com os beduínos. Durante a idade jovem (15 anos) foi trabalhar como condutor de caravanas. Em suas distantes viagens entrou em contato com duas grandes religiões monoteístas (de um só deus): o judaísmo e o cristianismo.

Mapa mostrando o norte da África e à direita  a Península Arábica (clique para ampliar)
Mapa mostrando o norte da África e à direita a Península Arábica (clique para ampliar)

Conta a história que ele interessou-se pela vida religiosa  depois dos 25 anos após casar-se com uma viúva de nome Cadja. Maomé tinha o costume de fazer retiros espirituais nas montanhas da região e em um desses retiros ele recebeu uma revelação divina do próprio arcanjo Gabriel. Desse dia em diante ele começou a pregar sobre a religião de um só Deus (Alá).

O nascimento do Islamismo

Agora que Maomé pregava a palavra de Alá, Maomé passou a receber um grande número de seguidores, os  muçulmanos. Nascia a religião do Islamismo. A palavra “Islamismo” vem do Islã que significa submissão total a deus.  A palavra “muçulmano” veio do árabe e significa  submetido a deus (muslim).

No início a crença do deus único de Maomé desagradou aos coraxitas, pois esses lucravam muito com as peregrinações até Meca para ver a Caaba. Como os comerciantes não simpatizavam com Maomé, esse mudou-se de Meca para a cidade de Yatreb, que posteriormente foi trocado o nome para Medina,  que significa “cidade do profeta”. Para os muçulmanos essa é a data mais importante de sua história pois a partir desse momento é contado o primeiro ano da história muçulmana. Esse evento aconteceu em 622, foi conhecido como Hégira, e oito anos mais tarde, agora fortalecidos, os muçulmanos retornaram para Meca com exércitos e tomaram a cidade pelas armas, derrubando todas as estátuas dos deuses locais mas permanecendo com a Caaba. A conquista de Meca marcou o início definitivo da religião e o momento onde o povo passou a ser islã, ou totalmente submisso a deus.

A religião Islâmica

O islamismo significou a unificou não somente a união da religião mas a centralização do Estado árabe. Maomé conseguiu reunir antes de morrer todas as tribos do deserto. Embora não tenha deixado nada escrito, seus seguidores deixaram escrito o que ele dizia em suas pregações. Abak Barkr, sucessor imediato de Maomé ordenou que esses escritos fossem reunidos  em um só livro, assim surgiu o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, tal como a bíblia para os católicos. Nele estavam escritas as regras para a religião tais como:

  • Ir a Meca pelo menos uma vez na vida.
  • Dar esmolas proporcionalmente aos bens que possui.
  • Jejuar durante a época do Ramadã (trinta dias de jejum onde o fiel não pode ingerir nem água nem alimento do nascer ao por do sol).
  • Orar cinco vezes ao dia com o rosto voltado para Meca.
  • Crer em Alá como o Deus único (lógico), etc.

As contribuições dos Árabes

A civilização árabe, principalmente na idade média foi sobretudo urbana e comercial. Com o comércio esses árabes promoveram a circulação de ideias e conhecimentos que seriam fundamentais para o mundo moderno.  Foram eles que introduziram na Europa a bússola, o papel e a pólvora, todos objetos inventados pelos chineses. Além disso sua civilização permitiu grandes avanços no campo da medicina, matemática e Química. Por exemplo, eles descobriram o contágio de doenças pela água, pela comida  e pelas roupas. Também identificaram os sintomas de várias doenças contagiosas, tais como a varíola e o sarampo.

No campo das ciências eles descobriram o sabão. A alquimia permitiu descobrir novos compostos como o ácido sulfúrico e o álcool. A s descobertas das propriedades das substâncias levaram ao desenvolvimento da química moderna. Fora as histórias maravilhosas como a coletânea das Mil e uma noites, uma coletânea de contos chineses e árabes.

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