A burguesia

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O feudalismo vai apresentar fases bem diversas durante a duração desse sistema político. A partir do ano 1000, até cerca de 1150, o sistema feudal entra em ascensão. A exploração camponesa torna-se intensa, concentrada em certas regiões superpovoadas, deixando áreas extensas de espaços vazios. Surgem novas técnicas de cultivo (ex: rodízio de três campos, etc.), novas formas de utilização dos animais e das carroças (ex: arado de ferro, etc.). Com essas inovações no campo, a produção agrícola teve um aumento significativo e surgiu a necessidade de comercialização dos produtos excedentes, então a partir do século XI, também há um renascimento do comércio e um aumento da circulação monetária, o que valoriza a importância social das cidades e suas comunas. E, com as Cruzadas, os feudos deixam de serem locais isolados do mundo. Assim, ocorre um restabelecimento do comércio com o Oriente próximo e o desenvolvimento das grandes cidades, que começam destruir as bases da organização feudal.

Na medida em que aumenta a demanda de produtos agrícolas para o abastecimento da população urbana. Isso eleva o preço dessas mercadorias, permitindo aos camponeses maiores fundos para a compra de sua liberdade. Não que os servos fossem escravos; com o excedente produzido, poderiam comprar de seus senhores lotes de terras e, assim, deixar de cumprir suas obrigações junto ao senhor feudal. É claro que esta situação poderia gerar problemas já que, bem ou mal, o servo vivia protegido dentro do feudo. A solução encontrada, quando não se tornavam comerciantes, era morar em burgos, dominados por outros tipos de senhores, desta vez, comerciais. Ao mesmo tempo, a expansão do comércio cria novas oportunidades de trabalho, atraindo os camponeses para as cidades. Assim, pouco a pouco, surge o capitalismo, que nada mais é do que um sistema econômico baseado nas relações de comércio e mão de obra assalariada. O capitalismo, pouco a pouco derruba as bases da antiga sociedade feudal.

O nascimento da burguesia

Primeiramente a palavra burgo, refere-se o espaço entre as muralhas e o castelo do Sr. Feudal. Esse espaço era utilizado para a defesa em épocas de guerra. Mas com o passar do tempo, essa palavra vai servir para explicar as cidades comerciais que se desenvolviam fora desse núcleo urbano primitivo.

Com as Cruzadas surgiram às primeiras rotas comerciais formadas pelos antigos cavaleiros que, ao retornarem a Europa, iam saqueando as cidades orientais e vendendo as mercadorias adquiridas (jóias, tecidos, temperos, etc) pelo caminho. Durante esse período, estes mesmos mercadores, como forma de proteção, começam a construir cidades protegidas por muralhas, conhecidas como burgos. Os burgos abrigavam também os camponeses, que com a decadência do feudalismo e conseqüente perda de poder dos senhores feudais, deixam os feudos e buscam refúgio nestas fortalezas. Originalmente o termo burguês era usado para se referir a estas pessoas que residiam nos burgos, mas aos poucos, o termo passou a ser usado para designar todo um grupo que começava a se estabelecer como força econômica, a transformar os meios de produção e que se dedicava às atividades comerciais com o objetivo de lucro; prática que por muito tempo foi condenada pala Igreja Católica, a maior potência da época, e vista como desonesta pela maioria das culturas e civilizações do ponto de vista ético. Essa classe é a burguesia.

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