A Volta de Vargas

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A volta de Vargas é conduzida ao poder pelo PTB, vencendo Eduardo Gomes da UDN e Cristiano Machado do PSD. O PSD abandou Cristiano Machado e decidiu apoiar Getúlio (nasceu aí a expressão cristianizar um candidato). Getúlio foi tão agraciado pela população que até na música popular brasileira ele foi consagrado:

“Bota o retrato do velho outra vez

Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho

Faz a gente trabalhar”.

Letra de Haroldo Lobo e Marino Pinto – 1951.

Em 31 de janeiro de 1951 Getúlio assume o lugar de Eurico Gaspar Dutra. O momento em que Vargas assume difere muito do momento em que ele deixou a presidência em 1945. Getúlio tinha uma política nacionalista de valorização das indústrias brasileiras, ao retornar ao poder ele procura retomar sua política procurando valorizar a classe trabalhadora e frear o desenvolvimento das indústrias estrangeiras em solo brasileiro. As medidas criadas acabam gerando perda do apoio de Getúlio, pois as elites brasileiras estavam agora sob o controle do capital estrangeiro. Entre as medidas, podemos encontrar:

  • Reajuste de 100% de aumento no salário mínimo.
  • Lei de restrição da remessa de lucros das empresas estrangeiras para o exterior.
  • Lei dos crimes contra a economia popular (principio de direitos do consumidor).
  • Lei sobre o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo.
  • Lei de Imprensa.

Neste período, foi criada a Petrobrás, o BNDES, o IBC (Instituto Brasileiro do Café), o seguro agrário, o Banco do Nordeste, a CACEX (carteira de comércio exterior) do Banco do Brasil e a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso. Todas essas indústrias e instituições foram voltadas para desenvolver o capital nacional o que gerou algum apoio da opinião pública, mas não das elites ligadas ao capital estrangeiro. Essa forma de apoio público é conhecida como populismo, foi comum em toda a América latina durante essa época onde o processo de modernização do país era associado à figura carismática do líder da nação.

Somente o jornal “A Última Hora” apoiava Getúlio na mídia. Demais jornais acusavam esquemas de corrupção ligados ao partido e pessoas próximas de Vargas. Houve até uma CPI, liderada pelo jornalista Carlos Lacerda para provar que havia dinheiro federal injetado no jornal. Tal evento levou Getúlio Vargas a afirmar que “estava sentado num mar de lama”. Após esse caso ser julgado, boa parte da opinião pública estava contra Vargas.

O crime da rua Tonelero e o fim

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, em frente ao edifício onde residia Carlos Lacerda, em Copacabana, no Rio de Janeiro, mata o major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB), e fere, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado federal da UDN, que fazia forte oposição a Getúlio.

A crise política que se instalou foi muito grave porque, além da importância de Carlos Lacerda, a FAB, a qual o Major Vaz pertencia, tinha como seu grande herói o Brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, que Getúlio derrotara nas eleições de 1950. Existem várias versões para o crime, mas em 1956, o acusado de ser o andante do crime foi julgado, preso e morto na cadeia em 1962.

Essa crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 24 de agosto de 1954. Getúlio deixou uma nota de suicídio, a “carta-testamento”, que foi lida, na sua versão datilografada, de maneira emocionada, por João Goulart, no enterro de Getúlio em São Borja. Esta carta até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção, na versão datilografada da carta-testamento, a frase em castelhano: “Se queda desamparado”. Também fez um discurso emocionado o amigo e aliado de longa data Osvaldo Aranha. Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica.

Perguntas Respondidas

1) O que é “populismo”? Por que Getulio Vargas – e outros – foram chamados de “populistas”?

O termo “populismo” é um dos mais controversos da literatura política, possuindo várias conotações. De modo geral, contudo, o termo tem sido utilizado, no Brasil e na América Latina, para designar a liderança política que procura se dirigir diretamente à população sem a mediação das instituições políticas representativas, como os partidos e os parlamentos – ou ainda contra elas – apelando a imagens difusas como as de “povo”, “oprimidos”, “descamisados”, etc. Em nossa história recente, líderes como Vargas, João Goulart, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Ademar de Barros, Leonel Brizola, e outros, foram chamados de “populistas”.

2) O que é o “nacionalismo”?

Em linhas gerais, o termo nacionalismo tem sido aplicado de modo genérico em nosso país – pelo menos desde as décadas de 1940 e 1950 – para definir, tanto positiva quanto negativamente, o conjunto de práticas e posições políticas que se destinam a defender a soberania política e econômica do país através da intervenção econômica do Estado. Um exemplo das polêmicas envolvendo o uso do termo pode ser encontrado em todo o debate que marcou a criação da Petrobrás e as recentes reformas constitucionais que acabaram com o monopólio estatal do petróleo.

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