A colonização espanhola na América

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O primeiro ponto que devemos analisar ao estudar a colonização na América espanhola é a violência utilizada da parte dos colonizadores sobre os índios. Para se ter uma idéia, em 1568 dos 25 milhões de índios do México, sobraram menos de 3 milhões, e dos 9 milhões da região do Peru restavam apenas 1,3 milhões em 1570. Lembrando aos que não perceberam que os espanhóis chegaram em 1492 e em pouco mais de 70 anos dizimaram quase 90% da população de índios. Mas qual o sentido de tamanha brutalidade? A resposta é simples: explorar ao máximo possível as riquezas do território e usando os índios como escravos. O problema é que essa tarefa não era tão fácil e para isso os espanhóis tiveram que usar de vários métodos para administrar a colônia.

Como funcionava a administração?

A estratégia usada para administrar os territórios da América espanhola era dividir os territórios conquistados em vice-reinados, como os da Nova Espanha, da Nova Granada, etc. E seguindo essa lógica, o chefe político do vice-reino era o vice-rei.

O vice-rei era a maior autoridade administrativa fora do território da Coroa espanhola. Eles cuidavam dos assuntos políticos, militares e religiosos e exerciam o poder jurídico através das audiências. Ou seja, além de representar o rei, ele podia julgar qualquer decisão não prevista em lei, o que dava um enorme poder ao vice-rei.

Abaixo do vice-rei, existia o cabildo, que nada mais era que um conselho municipal onde seus responsáveis cuidavam do abastecimento das vilas e cidades. Cuidando de questões policiais e do comércio nas regiões. Sempre, os melhores cargos eram ocupados pelos espanhóis legítimos, a “pureza do sangue” era o fator principal para diferenciar os cidadãos.

Para finalizar, havia dois órgãos em território espanhol para fiscalizar o que era feito nas colônias: A Casa de Contratação e o Conselho das Índias.

  • Case de Contratação – Criada em 1503, nada mais era do que um porto que foi construído na cidade de Sevilha (Espanha) de onde TODOS os barcos que iam ou voltavam das colônias DEVERIAM PASSAR PRIMEIRO antes de aportar no território espanhol. Assim, a Coroa podia controlar o monopólio sobre a exploração das colônias.
  • O Conselho das Índias – criado em 1524, era um conselho onde o rei indicava pessoas da sua mais alta confiança para criar estratégias e cuidar da exploração das colônias. Visando dessa forma extrair o máximo de riquezas da colônia para o Estado e para a burguesia espanhola.

A sociedade colonial

Os Criollos e os Chapetones formavam a elite colonial. Os mestiços, índios e escravos negros formavam as classes populares.

  • Os Chapetones – também conhecidos como metropolitanos ou peninsulares, eram brancos espanhóis, isto é, gente nascida na Espanha que exercia na colônia, a mando do rei, alguma função administrativa. Os cargos mais importantes da colônia eram destinados exclusivamente aos chapetones.
  • Os Criollos – também eram brancos, mas descendentes dos espanhóis, nascidos na colônia. Embora formassem junto com os chapetones a elite colonial na América hispânica, tinham uma relação tensa com os chapetones por causa dos privilégios e do poder político que os chapetones tinham, e eles, não.
  • Os Mestiços – havia na América espanhola e também na América portuguesa, um forte preconceito contra os chamados mestiços. Os mestiços eram o resultado da miscigenação entre um branco e um índio; entre um índio e um negro ou entre um branco e um negro. No caso da América espanhola a maioria dos mestiços eram o resultado da miscigenação do branco espanhol com o elemento indígena. Para a elite colonial, esse grupo – os mestiços – não valia muita coisa, no máximo desfrutavam de alguma liberdade e trabalhava em troca de algum salário. Quase sempre muito baixo.
  • Negros (escravos africanos) – considerados simples instrumentos de trabalho, eram usados em trabalhos domésticos ou em outras atividades como artesanato, transporte de mercadoria ou construções.
  • Índios – Embora não fossem oficialmente escravos, o sistema de trabalho compulsório a que eram submetidos (mita e encomienda), na prática, os tornava escravos dos criollos. A população indígena representava a maioria da população colonial e constituía a base de sustentação da economia colonial espanhola

A exploração do território

A principal atividade colonial era a extração dos recursos minerais, mais conhecido como roubo de ouro e prata dos índios. Onde não havia possibilidade de extrair esses minerais, as regiões eram aproveitadas para a plantação de produtos tropicais como tabaco, cana-de-açúcar, algodão, anil e cacau. Toda essa exploração tinha uma lógica que era a de os produtos da colônia abastecessem o mercado espanhol, e depois, a Espanha abastecia o mercado europeu.

A mão de obra indígena foi a mais utilizada para a exploração. E esse foi o motivo principal de tamanha violência e massacre dos índios, visto que eles trabalhavam em regime de escravidão. As duas principais formas de exploração do indígena foram a mita e a encomienda:

  • Mita – Já existia na época dos incas. O espanhol usava um chefe indígena para recrutar outros índios e o recrutava para a prestação de serviço por um tempo determinado (4 meses) em troca de uma salário baixíssimo. Se ele tentasse fugir era severamente castigado.
  • Encomienda – Nesse caso, o colonizador, geralmente um criollo, comprometia-se com a Coroa espanhola em usar o trabalho dos índios em suas fazendas ou minas de ouro e prata e, em troca, oferecia a esses índios, instrução cristã.

A “preservação dos índios”

Preocupada com o massacre dos índios, a Coroa resolve em meados do século XVI dar atenção para a preservação dos indígenas. Assim ela substitui os encomenderos por corregedores. Os corregedores recebiam os tributos dos índios e eram responsáveis por criar Cortes de Justiça para especiais e magistrados para proteger os índios contra abusos.

Por fim, a Igreja Católica, enviou diversas ordens religiosas (jesuítas, franciscanos, dominicanos, etc) com o intuito de preservar os indígenas. Dentre as ordens destacaram-se os jesuítas (vindos da Companhia de Jesus), que reuniam os índios em pequenas aldeias conhecidas como missões ou reduções. Nessas aldeias os índios viviam sob a orientação dos padres onde eles melhoravam suas técnicas de agricultura e produziam artesanatos. O problema é que por mais que os jesuítas fossem capazes de fazer um bom trabalho acolhendo os índios sem matá-los. Quando esses índios eram “domesticados”, aprendiam a língua espanhola, a religião católica, e aperfeiçoavam seus conhecimentos de agricultura, eles estavam perfeitos para serem roubados pelos colonizadores para ser forçados a trabalhar como escravos. As missões duraram até 1767, sempre sendo saqueadas para seqüestrarem os índios.

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