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Caminho das Índias

caminhoA Rede Globo voltou hoje a exibir a novela: Caminho das Índias. Eu gosto de ser sempre um dos primeiros quando a matéria é apedrejar a rede Globo. Mas confesso que perante minha ignorância eu nem sabia quem eram os deuses do hinduísmo quando vi a novela pela primeira vez, portanto minhas primeiras percepções sobre a Índia vieram dessa novela então não posso apedrejá-la totalmente, quero apenas fazer aqui algumas correções sobre uns pontos que a novela não esclareceu pela primeira vez. Por hora nem vou comentar o fato deles não terem entrado nas questões da divisão do subcontinente em Paquistão e Bangladesh ou que a Índia da novela é limpinha.

Primeiro: Quatro castas. A novela trata como a existência dos brâmanes, Xátrias, Vaixás e Sudras. Grosseiramente falando seriam os sacerdotes, guerreiros, comerciantes e trabalhadores. Por fim ela lista os sem castas, que serão abordados a frente. Apesar do sistema de castas ter sido rejeitado pela Constituição Indiana de 1950 (devido à pressão de políticos ocidentalizados), ele continua a fazer parte da cultura da Índia moderna. Atualmente, no hinduísmo, existem mais de 3.000 sub-castas não-oficiais que ainda hoje marcam profundamente a sociedade e o modo de vida da população na Índia, principalmente no interior.

Segundo: Na novela traduz os Dalits, como Intocáveis. Na verdade a palavra quer dizer “oprimidos”. Existiam várias castas baixas e as pessoas que faziam parte dos conhecidos como intocáveis, ou sem casta. Esses desde a constituição de 1950 formaram um grupo essencialmente excluído de educação e com condições de vida muito baixas. Mahatma Gandhi chamou essas pessoas de “Harijan”, ou filhos de deus, mas depois da morte dele eles preferiram se chamar de Dalits, “oprimidos”.

Terceiro: Os Hindus não são assim tão politeístas como mostra a novela. O Hinduísmo é descrito como uma religião politeísta por eles rezarem para vários deuses e pelas diferentes esculturas ou imagens desses deuses. Na verdade isso demostra as necessidades de diversos grupos que tem desejos diferentes mas os deuses do hinduísmo são referências aos vários aspectos de um único deus. Esse deus supremo é conhecido como Brahma que é eterno e infinito, mais ou menos como o Deus católico. Mas esse deus se manifesta em diferentes formas e aspectos com funções diferentes. Por exemplo, Ganesha, é a representação de deus que remove obstáculos. Geralmente os hindus escolhem um deus e reverenciam principalmente a ele em seus templos pessoais, mas é possível encontrar templos compostos por um “pequeno panteão”.

Era isso pessoal, espero ter deixados vocês curiosos e o importante é adquirir cultura… mesmo que seja através da novela…. hehehe.

hebreus

Hebreus e a antiga palestina

Mapa da terra prometida

Palestina é o nome do território situado entre o Mediterrâneo a oeste, o rio Jordão e o Mar Morto a leste, a chamada Escada de Tiro a norte (Ras en-Naqura/Roch ha-Niqra, fronteira com o Líbano) e o Wadi el-Ariche a sul (fronteira com o Sinai, tradicionalmente egípcio). Com 27.000 km2, a Palestina é formada, de um modo geral, por uma planície costeira, uma faixa de colinas e uma cadeia de baixas montanhas cuja vertente oriental é mais ou menos desértica.

A Palestina, sendo um estreito trecho de favorável passagem entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas, pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos. Os povos mais antigos da Palestina foram: os cananeus, filisteus e hebreus. A princípio ela foi conquistada, em meados do século XV a.C. por faraós, vindos do Egito. E esteve organizada em cidades-Estado sob a hegemonia egípcia, mas com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do século XIII a.C., chegaram então à Palestina sucessivas levas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo. Continue reading

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As Corporações de Ofício

Durante a baixa Idade Média, após o surgimento da burguesia e dos burgos a Europa vai passar por uma enorme transformação devido ao surgimento do comércio. Mais do que somente compra e venda as atividades comerciais deram suporte para surgir atividades de produção voltadas para o comércio, ou seja, surgirão os profissionais dedicados unicamente para criar produtos e vende-los no comércio.

Esses grupos são formados por Artesãos. Por definição, artesão é todo o profissional que produz algo artesanalmente. Digo isso pois artesanato não quer bijuterias ou objetos de arte e sim à forma na qual ele é feito, um a um e com um profissional que é responsável por toda a produção do objeto. Vamos discutir um pouco mais sobre isso a seguir.

Artesanato

Na forma de produção conhecida como Artesanato temos um profissional que sozinho é responsável por toda a produção. Por exemplo, na idade média um sapateiro que artesanalmente faz seu sapato ele cortava a madeira para fazer a sola do sapato… ele lixava a madeira… ele cortava o couro da vaca e deixava secar… ele costurava e pregava o couro e somente depooois disso tudo ele tinha um sapato pronto. Hoje, chamamos de artesanal algo que foi feito a mão e sem o auxílio de máquinas.

Manufatura

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção em maior quantidade. O manufatureiro distribuía a matéria-prima, contratava os artesãos para trabalhar cada um em uma parte da produção. No caso do sapato, parece como nossas pequenas fábricas de sapato, onde sem máquinas, um artesão trabalhava cortando a sola, outro o couro, um terceiro poderia terminar fazendo a costura, no fim das etapas, surgia um sapato pronto.

Corporações de Ofício

CorporaçõesOs donos de manufaturas formavam uma classe nova e aos poucos começaram a criar suas próprias associações. Essas associações surgiram para reunir os criadores de um mesmo tipo de produto para organizar e padronizar as atividades. Essas associações foram chamadas de corporações de ofício. As corporações reuniam os comerciantes e artesãos que se envolviam na fabricação e venda de um mesmo tipo de produto. Visando a garantia de ganho para os seus integrantes, uma corporação tinha poderes para tabelar os preços referentes à mão de obra e a matéria-prima empregada em um processo de fabricação. Além disso, tomavam todo o cuidado para que a fabricação seguisse determinados padrões de qualidade e combatiam a falsificação de mercadorias.

As corporações formavam grupos poderosos que controlavam os preços das mercadorias que vendiam. Além disso, proibiam que pessoas não associadas à determinada corporação tivessem autonomia para realizar a fabricação de um mesmo produto fora de suas exigências. Dessa forma, a concorrência comercial era combatida e os mercados consumidores devidamente preservados.

As Corporações de Ofício eram ambientes também de aprendizado do ofício e de estabelecimento de uma hierarquia do trabalho. A própria organização interna das Corporações de Ofício era baseada em uma rígida hierarquia, composta por MestresOficiais e Aprendizes. Quando alguém pleiteava fazer parte de uma Corporação de Ofício, obrigatoriamente sua entrada ocorria na categoria de Aprendiz. Este não recebia salário por suas atividades e estava lá para aprender. Moravam com seus mestres e muitas vezes casavam com suas filhas. O aprendizado poderia durar até doze anos e só depois que o Aprendiz atingia a condição de Oficial.

Os Oficiais passavam um tempo exercendo o que foi aprendido. Para chegar à condição de Mestre era preciso passar por uma prova e pagar uma taxa. O rigor podia variar nas regiões, mas ao chegar mais perto do fim da Idade Média apresentava-se cada vez mais difícil conquistar o posto de Mestre. Os membros mais ricos passaram a ter um domínio sobre as corporações e a ascensão acabou ficando restrita praticamente aos familiares. Já os Mestres eram os donos das oficinas, das ferramentas, das matérias-primas e do conhecimento. A posição de Mestre era muito gratificante socialmente e economicamente e por isso tão almejada.

Todas essas mudanças aos poucos mudaram completamente o antigo mundo medieval. Digo aos poucos pois ainda nesse momento os nobres eram os mandantes da sociedade e seu poder não era centrado nas atividades comerciais tal como os artesãos das corporações de ofícios e sim na posse da terra e no controle de servos. As diferenças entre o modo de vida de comerciantes e artesãos, também conhecidos como burgueses e os tradicionais nobres vão resultar em terríveis disputas que marcarão o fim do tradicional mundo medieval.

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Antigo Egito

Mapa do Antigo Egito

Mapa do Antigo Egito

O antigo Egito localiza-se onde hoje fica o Egito (dããã)… Bem, falando sério, o Egito é localizado ao nordeste da África, ao longo do Rio Nilo, um dos maiores rios do planeta. Esse rio nasce no Lago Vitória (ao sul) e desemboca no Mar Mediterrâneo (ao norte). O engraçado é que a região de “cima” é conhecida como baixo Egito (por estar em altitudes ao nível do mar), enquanto a parte de “baixo” (por estar mais ao centro do continente e com maiores altitudes) é conhecida como alto Egito. E, ao longo desse rio nasceu a monarquia mais duradoura do mundo antigo. Continue reading

Las-10-peores-maquinas-de-tortura-de-la-Edad-Media-6

Igreja Católica Medieval

Alguns acreditam que na idade média os reis que eram os verdadeiros poderosos porém quem pensa dessa maneira jamais parou para imaginar o poder que a Igreja Católica Medieval possuía. Durante os anos do Feudalismo, a igreja Católica foi a mais poderosa instituição que a Europa conheceu. Porém seu poder não terminou com a baixa do sistema feudal perdurou durante anos, sendo sua influência sentida de forma pesada no mundo até poucos anos atrás.

Podemos ver o poder pelo lado financeiro e principalmente pelo lado moral, isso falando do controle das multidões. Como instituição, a Igreja Católica Medieval era dona de dois terços de todas as terras cultiváveis da Europa, e isso contando em uma época onde a verdadeira riqueza deveria se medir através da posse da terra. Ao contrário de Nobres que tinha seus bens sendo constantemente repartidos ao trocarem de alianças ou mesmo por óbitos, a Igreja ao longo dos anos somente acumulou bens. De outro lado, o controle que ela exercia sobre as multidões era capa de perverter reis, fazer e desfazer alianças e determinar tudo o que era certo ou errado. Sua posição era tão segura e inquestionável que cada vez mais os altos cargos da Igreja distanciavam-se dos assuntos religiosos para cuidarem de seus afazeres pessoais.

Sua influência era tamanha que durante a Idade Média a Igreja criou a Inquisição, ou Santa Inquisição. Uma espécie de tribunal religioso para condenar aqueles que eram contra os dogmas (verdades) pregados pela Igreja Católica. No início quem fazia os julgamentos eram membros do clero local, porém a partir da década de 1250, os inquisidores eram geralmente escolhidos entre os membros da Ordem Dominicana para substituir a prática anterior de utilizar o clero local como juízes.

Fundado pelo Papa Gregório IX, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição mandou para a fogueira milhares de pessoas que eram consideradas hereges (praticante de heresias; doutrinas ou práticas contrárias ao que é definido pela Igreja Católica) por praticarem atos considerados bruxaria, heresia ou simplesmente por serem praticantes de outra religião que não o catolicismo. Na verdade a ideia da criação da Inquisição surgiu inicialmente para funcionar como um tribunal interno, apenas para dentro Igreja católica. Porém, em 1183, pessoas enviadas pelo papa para investigar uma crença conhecida como Cátaros de Albi, no sul da França perceberam  os “albigineses” deveriam ser considerados hereges por distorcerem a fé cristã. Como resultado disso, no ano seguinte, no Concílio de Verona, foi criado o Tribunal da Inquisição. A inquisição vai ser forte no século XVIII, mas as perseguições aos hereges têm registros bem mais antigos.

Daí em diante, tudo só piora. Em 1252, o Papa Inocêncio autoriza a tortura através de um documento conhecido como “Ad Exstirpanda”. Na prática, o documento autoriza e incentiva o uso da tortura para fornecer uma confissão do torturado. Esse documento vai ser usado e renovado pelos papas seguintes. Através de técnicas de tortura que deixaria o BOPE chocado, qualquer pessoa presa acabaria confessando os mais temíveis crimes para que a tortura acabasse. Abaixo, listamos alguns dos instrumentos de tortura medievais.

Balcão ou mesa de estiramento - O sujeito era amarrado pelos braços e uma roldana esticava o condenado.

Balcão ou mesa de estiramento – O sujeito era amarrado pelos braços e uma roldana esticava o condenado.

Antes eu pensava que isso era coisa de filme. Mas essas máscaras eram usadas em punições leves, para quem difamasse costumes cristãos como traições ou mesmo quem atentasse contra o governo. Vinham nas mais divertidas e variadas formas como por exemplo chifres para os traídos.

Antes eu pensava que isso era coisa de filme. Mas essas máscaras eram usadas em punições leves, para quem difamasse costumes cristãos como traições ou mesmo quem atentasse contra o governo. Vinham nas mais divertidas e variadas formas como por exemplo chifres para os traídos.

Acho que essa dispensa explicações né? por ventura a da foto  tem 1.606 pontas de madeira e 23 de ferro e podia ser aquecida para provocar mais dor.

Acho que essa dispensa explicações né? por ventura a da foto tem 1.606 pontas de madeira e 23 de ferro e podia ser aquecida para provocar mais dor.

A minha preferida. Conhecida como "Virgem de Ferro" ou "Donzela de Ferro", ou ainda Iron Maiden para os mais íntimos. Tratava-se de uma capsula de ferro com espinhos de metal  colocadas para dentro de modo que o acusado não poderia cair no sono ou se feriria.

A minha preferida. Conhecida como “Virgem de Ferro” ou “Donzela de Ferro”, ou ainda Iron Maiden para os mais íntimos. Tratava-se de uma capsula de ferro com espinhos de metal colocadas para dentro de modo que o acusado não poderia cair no sono ou se feriria.

Bom, acho que chega por enquanto não? A inquisição chegou a torturar milhares de pessoas de diversas classes sociais durante a idade média, nem mesmo os nobres conseguiam escapar. Lembrando que a Igreja e o Estado funcionavam juntos, portanto as atividades da Inquisição eram perfeitamente apoiadas pela nobreza quando essa queria derrubar nobres inimigos. Nos julgamentos, o réu não tinha nem o direito de saber o porquê e nem por quem havia sido condenado, não tinha direito a defesa e bastavam apenas duas testemunhas como prova.  O maior temor era ser julgado pelos “autos da fé” que era quando a sentença (geralmente a morte) era professada em praça pública como uma grande festa para servir de exemplo aos demais hereges. Poucos sobreviviam ou eram perdoados. O melhor exemplo de perdão encontramos em Galileu Galilei.

Galileu foi o mais importante astrônomo de seu tempo ao criar os princípios do método experimental da ciência moderna. Ele criou as bases para o estudo do movimento dos corpos na física (cinemática) e conseguiu provar isso quando em 1609 criou a luneta. Através dela, ele pôde provar que o Sol é a nossa estrela e que os planetas giram ao redor do sol, sendo a Terra é só mais um deles. Tal pensamento, que hoje até mesmo crianças de 10 anos sabem, desagradou muito aos padres da época que eram contra considerar a Terra, a criação suprema de Deus “apenas mais um planeta, portanto é óbvio que o Sol giraria ao redor da Terra”. Para fugir da inquisição Galileu foi obrigado a ir em praça pública e admitir que estava errado.

É mole? Se acha que para ele foi complicado, pior foi para Giordano Bruno e Joana D’arc que acabaram queimados na fogueira. Pelo menos para Giordano Bruno sua morte causou um movimento de mudança no pensamento opressor religioso na Europa