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A Índia Moderna

Com o título de maior democracia do mundo, a Índia ocupa uma posição de destaque no cenário mundial como potência em ascensão. Sua trajetória foi fundada sob muitas dúvidas quanto ao curso de suas ações que foram desde um idealismo quase utópico a um realismo quase pessimista sobre como deveria ser suas relações com a política exterior. Por esse motivo a Índia deve ser analisada com um cuidado extremo quanto ao seu desenvolvimento, pois assim como a China, ela foi capaz de tomar decisões únicas no curso de seu desenvolvimento mas ao contrário da sua vizinha nunca deixou de ser uma democracia.

Mais do que uma escolha de governo, a democracia foi uma necessidade para integrar um Estado tão diverso. A independência da Índia foi um movimento popular de constante evolução ideológica, que englobava vários segmentos da sociedade do país. A ideologia básica do movimento era o anticolonialismo, com uma estrutura política secular. Nesse processo a Liga Muçulmana surgiu como um representante do pensamento muçulmano contra os britânicos e na independência da Índia viu a possibilidade de criar um Estado separado. A partição do território em Índia e Paquistão trouxe um enorme sentimento de perda para a Índia e a democracia mais do que nunca se mostrou como a forma de manter um país com tamanhas diferenças linguísticas e culturais unido.

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Jawaharlal Nehru

Durante os primeiros anos da independência, Jawaharlal Nehru esteve à frente do movimento político orientando como deveria se desenvolver essa jovem nação. As ideias de Nehru trouxeram esperança e unidade para a grande cicatriz que a partição deixou. O primeiro governo fez um bom trabalho ao realocar os refugiados das áreas de conflitos religiosos, ao trazer para o seu lado os grupos de orientação socialista e ao adotar um modelo inesperado de capitalismo e grande intervenção do Estado na economia. De fato, essa intervenção do Estado na economia é a maior expressão do idealismo de Nehru que contraria noção do Laissez-fairee que foi muito defendida pelos Estados Unidos da América. Esse exemplo de administração pareceu absurdo para a política americana nos anos 1950 principalmente quando a Índia adotou um regime de não alinhamento no movimento da Guerra Fria. Justamente, esse foi um ponto de grande controvérsia entre economistas, mas assim como o primeiro ministro um dia a defendeu, eu defendo que o país seguiu o caminho certo ao adotar esse modelo.

A intervenção do Estado na economia permitiu ao modelo de desenvolvimento indiano um grande avanço em comparação as outras nações que emergiram de um passado colonial O Estado era a única instituição com recursos suficientes para bancar um desenvolvimento em tamanha escala. A substituição das importações gerou uma enorme proteção para o mercado interno e permitiu que ele se desenvolvesse extremamente. Esse modelo esteve à prova de falhas até próximo da década de 1970. A proteção do mercado interno impedia a inserção de grandes remessas de dinheiro estrangeiro por parte de empresas em território indiano, essa proteção, em contrapartida não permitiu que o capitalismo tradicional introduzisse no país as inovações que a concorrência traz. A indústria começou a sofrer uma carência de novas tecnologias.

Indira Gandhi

Indira Gandhi

Com a morte de Nehru em 1964 o Estado começou a perder o idealismo da geração anterior. Esse é o momento mais crítico do desenvolvimento Indiano pois o realismo de uma não convivência pacífica com vizinhos como a China e o Paquistão e a necessidade da introdução de medidas liberais na nação levou a um vazio ideológico no qual eu afirmo residir grande parte dos problemas da atualidade. Indira Gandhi, por vezes chamada de Dama de Ferro da Índia teve uma difícil tarefa em suas mãos: abrir na Índia o caminho para uma política mais realista quanto à economia e política externa. De fato, suas ações provaram que ela teve a força necessária para criar tais reformas, porém ela rompeu com a base governista criando um próprio partido e com o apoio da ala da esquerda para manter-se no poder. O problema não foi o apoio da esquerda, até por que a Índia tinha uma grande veia socialista na formação de sua política. O problema foi fazer tudo o que estava ao seu alcance para permanecer no poder.

Os anos que se seguiram mostraram uma democracia fundamentada sobre partidos e coalizões que estavam mais preocupados em manterem-se no poder. Se olhar os demais países do mundo, a Índia não é o único caso a apresentar conflitos sociais provocados por minorias excluídas no curso da história, mas ela pressupõe a existência de um modelo extrínseco de política que não permite afirmar se (ou quando) o processo de reforma teria terminado. Dentre as características únicas apresentadas pela Índia, a transformação esteve sempre presente de modo que sua própria constituição é um documento vivo. Para estimular a participação, a constituição permitiu que praticamente qualquer cidadão Indiano pudesse criar um partido. Isso, aliado com a criação de cotas no congresso para os grupos excluídos (chamaos de Scheduled Castes and Scheduled Tribes) criou uma oportunidade de representatividade desses grupos no Lok Sabha, a casa baixa no congresso indiano. Porém, essa representatividade tornou difícil para os partidos nacionais permanecerem no poder sem fazer coalizações de partidos. Essa necessidade de permanecer no poder com a ausência de um idealismo que unisse o país tanto gerou como permitiu que eclodisse conflitos que estavam mitigados desde a independência.

Em 1975, o estado de emergência declarado por Indira Gandhi deu apoio ao partido Janata assumir o controle. Foi uma resposta ao curto período de autoritarismo político indiano que quase prejudicou a democracia. O partido não conseguiu resolver problemas em ascensão. No campo, os movimentos iniciados pela necessidade de reforma agrária na década de 1960 foram esquecidos pelos governos posteriores por suas próprias necessidades. O congresso não resolveu o problema da reforma agrária. Hoje, a oposição está no poder, mas eles chegaram lá através de uma coligação de partidos fundados em um apelo religioso para grupos hindus.

Então eu pergunto: é a Índia um modelo a seguir? Sim. Índia fez seu próprio caminho para o seu desenvolvimento. Os governos posteriores mostraram algum retrocesso quando proibido decisões judiciais sobre os direitos das mulheres em defesa dos eleitores religiosos. Agora Índia está nos holofotes mundiais e vemos enormes esforços para caminhar para uma boa convivência com os vizinhos, manifestações pedindo mais igualdade entre mulheres e homens e assim por diante. Isso prova que a Índia procura um novo idealismo. Tanto o modelo de desenvolvimento que respeite o que o país precisa como a busca de idealismo é algo que deve ser adotada por outros países em desenvolvimento.

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Caminho das Índias

caminhoA Rede Globo voltou hoje a exibir a novela: Caminho das Índias. Eu gosto de ser sempre um dos primeiros quando a matéria é apedrejar a rede Globo. Mas confesso que perante minha ignorância eu nem sabia quem eram os deuses do hinduísmo quando vi a novela pela primeira vez, portanto minhas primeiras percepções sobre a Índia vieram dessa novela então não posso apedrejá-la totalmente, quero apenas fazer aqui algumas correções sobre uns pontos que a novela não esclareceu pela primeira vez. Por hora nem vou comentar o fato deles não terem entrado nas questões da divisão do subcontinente em Paquistão e Bangladesh ou que a Índia da novela é limpinha.

Primeiro: Quatro castas. A novela trata como a existência dos brâmanes, Xátrias, Vaixás e Sudras. Grosseiramente falando seriam os sacerdotes, guerreiros, comerciantes e trabalhadores. Por fim ela lista os sem castas, que serão abordados a frente. Apesar do sistema de castas ter sido rejeitado pela Constituição Indiana de 1950 (devido à pressão de políticos ocidentalizados), ele continua a fazer parte da cultura da Índia moderna. Atualmente, no hinduísmo, existem mais de 3.000 sub-castas não-oficiais que ainda hoje marcam profundamente a sociedade e o modo de vida da população na Índia, principalmente no interior.

Segundo: Na novela traduz os Dalits, como Intocáveis. Na verdade a palavra quer dizer “oprimidos”. Existiam várias castas baixas e as pessoas que faziam parte dos conhecidos como intocáveis, ou sem casta. Esses desde a constituição de 1950 formaram um grupo essencialmente excluído de educação e com condições de vida muito baixas. Mahatma Gandhi chamou essas pessoas de “Harijan”, ou filhos de deus, mas depois da morte dele eles preferiram se chamar de Dalits, “oprimidos”.

Terceiro: Os Hindus não são assim tão politeístas como mostra a novela. O Hinduísmo é descrito como uma religião politeísta por eles rezarem para vários deuses e pelas diferentes esculturas ou imagens desses deuses. Na verdade isso demostra as necessidades de diversos grupos que tem desejos diferentes mas os deuses do hinduísmo são referências aos vários aspectos de um único deus. Esse deus supremo é conhecido como Brahma que é eterno e infinito, mais ou menos como o Deus católico. Mas esse deus se manifesta em diferentes formas e aspectos com funções diferentes. Por exemplo, Ganesha, é a representação de deus que remove obstáculos. Geralmente os hindus escolhem um deus e reverenciam principalmente a ele em seus templos pessoais, mas é possível encontrar templos compostos por um “pequeno panteão”.

Era isso pessoal, espero ter deixados vocês curiosos e o importante é adquirir cultura… mesmo que seja através da novela…. hehehe.

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Hebreus e a antiga palestina

Mapa da terra prometida

Palestina é o nome do território situado entre o Mediterrâneo a oeste, o rio Jordão e o Mar Morto a leste, a chamada Escada de Tiro a norte (Ras en-Naqura/Roch ha-Niqra, fronteira com o Líbano) e o Wadi el-Ariche a sul (fronteira com o Sinai, tradicionalmente egípcio). Com 27.000 km2, a Palestina é formada, de um modo geral, por uma planície costeira, uma faixa de colinas e uma cadeia de baixas montanhas cuja vertente oriental é mais ou menos desértica.

A Palestina, sendo um estreito trecho de favorável passagem entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas, pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos. Os povos mais antigos da Palestina foram: os cananeus, filisteus e hebreus. A princípio ela foi conquistada, em meados do século XV a.C. por faraós, vindos do Egito. E esteve organizada em cidades-Estado sob a hegemonia egípcia, mas com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do século XIII a.C., chegaram então à Palestina sucessivas levas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo. Continue reading

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As Corporações de Ofício

Durante a baixa Idade Média, após o surgimento da burguesia e dos burgos a Europa vai passar por uma enorme transformação devido ao surgimento do comércio. Mais do que somente compra e venda as atividades comerciais deram suporte para surgir atividades de produção voltadas para o comércio, ou seja, surgirão os profissionais dedicados unicamente para criar produtos e vende-los no comércio.

Esses grupos são formados por Artesãos. Por definição, artesão é todo o profissional que produz algo artesanalmente. Digo isso pois artesanato não quer bijuterias ou objetos de arte e sim à forma na qual ele é feito, um a um e com um profissional que é responsável por toda a produção do objeto. Vamos discutir um pouco mais sobre isso a seguir.

Artesanato

Na forma de produção conhecida como Artesanato temos um profissional que sozinho é responsável por toda a produção. Por exemplo, na idade média um sapateiro que artesanalmente faz seu sapato ele cortava a madeira para fazer a sola do sapato… ele lixava a madeira… ele cortava o couro da vaca e deixava secar… ele costurava e pregava o couro e somente depooois disso tudo ele tinha um sapato pronto. Hoje, chamamos de artesanal algo que foi feito a mão e sem o auxílio de máquinas.

Manufatura

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção em maior quantidade. O manufatureiro distribuía a matéria-prima, contratava os artesãos para trabalhar cada um em uma parte da produção. No caso do sapato, parece como nossas pequenas fábricas de sapato, onde sem máquinas, um artesão trabalhava cortando a sola, outro o couro, um terceiro poderia terminar fazendo a costura, no fim das etapas, surgia um sapato pronto.

Corporações de Ofício

CorporaçõesOs donos de manufaturas formavam uma classe nova e aos poucos começaram a criar suas próprias associações. Essas associações surgiram para reunir os criadores de um mesmo tipo de produto para organizar e padronizar as atividades. Essas associações foram chamadas de corporações de ofício. As corporações reuniam os comerciantes e artesãos que se envolviam na fabricação e venda de um mesmo tipo de produto. Visando a garantia de ganho para os seus integrantes, uma corporação tinha poderes para tabelar os preços referentes à mão de obra e a matéria-prima empregada em um processo de fabricação. Além disso, tomavam todo o cuidado para que a fabricação seguisse determinados padrões de qualidade e combatiam a falsificação de mercadorias.

As corporações formavam grupos poderosos que controlavam os preços das mercadorias que vendiam. Além disso, proibiam que pessoas não associadas à determinada corporação tivessem autonomia para realizar a fabricação de um mesmo produto fora de suas exigências. Dessa forma, a concorrência comercial era combatida e os mercados consumidores devidamente preservados.

As Corporações de Ofício eram ambientes também de aprendizado do ofício e de estabelecimento de uma hierarquia do trabalho. A própria organização interna das Corporações de Ofício era baseada em uma rígida hierarquia, composta por MestresOficiais e Aprendizes. Quando alguém pleiteava fazer parte de uma Corporação de Ofício, obrigatoriamente sua entrada ocorria na categoria de Aprendiz. Este não recebia salário por suas atividades e estava lá para aprender. Moravam com seus mestres e muitas vezes casavam com suas filhas. O aprendizado poderia durar até doze anos e só depois que o Aprendiz atingia a condição de Oficial.

Os Oficiais passavam um tempo exercendo o que foi aprendido. Para chegar à condição de Mestre era preciso passar por uma prova e pagar uma taxa. O rigor podia variar nas regiões, mas ao chegar mais perto do fim da Idade Média apresentava-se cada vez mais difícil conquistar o posto de Mestre. Os membros mais ricos passaram a ter um domínio sobre as corporações e a ascensão acabou ficando restrita praticamente aos familiares. Já os Mestres eram os donos das oficinas, das ferramentas, das matérias-primas e do conhecimento. A posição de Mestre era muito gratificante socialmente e economicamente e por isso tão almejada.

Todas essas mudanças aos poucos mudaram completamente o antigo mundo medieval. Digo aos poucos pois ainda nesse momento os nobres eram os mandantes da sociedade e seu poder não era centrado nas atividades comerciais tal como os artesãos das corporações de ofícios e sim na posse da terra e no controle de servos. As diferenças entre o modo de vida de comerciantes e artesãos, também conhecidos como burgueses e os tradicionais nobres vão resultar em terríveis disputas que marcarão o fim do tradicional mundo medieval.

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Antigo Egito

Mapa do Antigo Egito

Mapa do Antigo Egito

O antigo Egito localiza-se onde hoje fica o Egito (dããã)… Bem, falando sério, o Egito é localizado ao nordeste da África, ao longo do Rio Nilo, um dos maiores rios do planeta. Esse rio nasce no Lago Vitória (ao sul) e desemboca no Mar Mediterrâneo (ao norte). O engraçado é que a região de “cima” é conhecida como baixo Egito (por estar em altitudes ao nível do mar), enquanto a parte de “baixo” (por estar mais ao centro do continente e com maiores altitudes) é conhecida como alto Egito. E, ao longo desse rio nasceu a monarquia mais duradoura do mundo antigo. Continue reading